Debates e indicações de Encontros na área de Educação
sábado, 23 de fevereiro de 2019
sexta-feira, 4 de janeiro de 2019
Cortinas de fumaça ou dois campos de combate?
Ontem circulou um vídeo da Ministra dos Direitos Humanos do Governo Bolsonaro, parecia ser uma cerimônia oficial, comemorando que o Brasil teria chegado em uma nova era, e esta nova era seria na qual os "meninos vestem azul e as meninas vestem rosa". Esta fala remete, resume, sintetiza parte da leitura que levou este governo ao poder, de que o Brasil estava sendo assaltado por uma quadrilha defensora dos gays, das feministas e dos negros, que, além de promover a corrupção, promovia o fim da família brasileira. Isso porque, para determinado tipo de pessoa, a única família admitida é a que tem um pai que provê financeiramente a família e que, assim fazendo, tem o direito de propriedade sobre a mulher e os filhos. Nesta família, só podem continuar sendo filhos aqueles que performatizam a sua sexualidade de acordo com o sexo de seu nascimento (eu não sei qual seria a opção dos hemafroditas, nestas famílias, mas isto não vem ao caso). "Performatizar de acordo com o sexo de seu nascimento" significa apresentar para a sociedade a afirmação de uma série de estereótipos (imagens que não correspondem à realidade, mas que fazem parte de um imaginário, ex.: crianças são fofas; mulheres são burras; homens são valentes). Nascer menino, para esta gente, significa ser mais forte que a menina, falar grosso, não chorar, lutar para crescer e superar os outros na vida, ser dominante, ter força física e saber jogar bem futebol, além de querer ter como companheira de vida uma mulher, acreditar que ela é a que tem mais responsabilidade de cuidar da casa e dos filhos, "usar azul nas suas roupas". Ser mulher, "perfomatizar como mulher", é ser frágil, falar com voz suave, chorar quando não tem atenção suficiente ou for machucada, enfeitar-se para atrair o homem, o qual deverá prover a família e a casa, responsabilizar-se por seu "amparo" naquilo que seriam as "lides do lar". Durante muito tempo este foi um pensamento comum e pouco questionado, mas a persistência do conhecimento, dos estudos sobre a sociedade, dos protestos de homens que não perfomatizam como o imaginário social conservador supõe que devem perfomatizar, e mulheres que não perfomatizam do jeito que o imaginário social conservador esperava que perfomatizassem, foi mudando, e este processo de mudança ainda não se conclui. Mesmo as pessoas que entenderam o erro dos estereótipos (porque estereótipos criam universais que não se sustentam, há muitas maneiras de ser homem, mulher, gaúcha, nordestino, negra, gay, engenheira, professor), se perdem, algumas vezes, ao relatarem ou avaliarem uma situação, com base em estereótipos dos quais querem se livrar, é o caso de uma professora, por exemplo, que para reclamar do diretor de uma escola, por atitudes que ela julgue ser "fracas", o chame de "veado".
Voltando à atitude da Ministra, tem muita gente boa analisando que essas frases de efeito são "cortina de fumaça" para que a população fixe a discussão nestas questões que abordam costumes e não percebam a gravidade do momento econômico e político: motorista que recebe os salários dos funcionários do Gabinete "de volta" e deposita parte deste dinheiro na conta da primeira dama; depósitos empresariais que financiaram a campanha de Bolsonaro via watsap, e que se configuram em caixa 2 de campanha; das propostas de privatização; denúncias em relação à ONG da qual a Ministra participa, etc. Eu entendo estas análises (que destinam este lugar de "cortina de fumaça" para o que é anunciado verbalmente) e concordo em parte. Em parte, porque quando a Ministra diz "meninos vestem azul e meninas vestem rosa" existe um efeito prático e imediato na sociedade. Foi muita luta para contradizer e desmistificar essa mensagem, são anos de trabalho na formação de professores tentando colaborar para que docentes percebam a ligação entre isto (esse pensamento dela que expressa um pensamento muito forte a 20 anos atrás) e a desigualdade social, política e econômica entre homens e mulheres. Eu penso que hoje devem ter muitas crianças sendo agredidas pela cor que usam, mais do que ontem, assim, por uma simples frase dita por alguém que, no cargo em que ocupa, deveria defender estas crianças agredidas em seus direitos de, no mínimo, usar a cor que quiserem (sem falar em outros direitos - comer, estudar, ter lar, teto, renda mínima familiar para seu sustento) e não contribuir para que sejam agredidas.
Eu penso que dizer isso (meninos vestem azul e meninas vestem rosa) é de uma irresponsabilidade e causa um mal social suficiente para exigir que ela saia do cargo que ocupa. Preocupa-me, também, não responder a estas agressões à Constituição que são anunciadas, e realizadas, por meio da linguagem. Eu concordo, em parte, com a ideia da "cortina de fumaça", porque essas frases e ideias que despertam de um passado horrível (de submissão feminina aos mais absurdos atos machistas, sexistas) e de fato atraem toda a mídia e a pauta para isso, mas não responder me parece, ainda, apostar que pela discussão só das propostas econômicas deste governo, conseguiremos reverter o quadro conservador que chegou ao governo. Da discussão econômica, pouca gente sabe, pouca gente entende e pouca gente tem interesse em saber. As pessoas preferem as soluções mágicas na economia, como se bastasse eleger este ou aquele, que tudo se resolveria, e isso também precisa ser combatido. Eu penso que há ligação entre a "aprovação" do governo e: (1) esta postura reacionária e, (2) o neoliberalismo que ele pretende na economia. No meu entendimento, este pensamento conservador que lhe assegura votos, simpatia, e por isso penso que devemos trabalhar na denúncia destes discursos também, porque eles têm um poder de jogar para exclusão social e econômica muita gente, a exclusão não se dá apenas pelas propostas econômicas defendidas pelo neioliberalismo. Acho que são dois campos de combate, para quem defende uma sociedade outra: as questões ligadas ao neoliberalismo e as questões ligadas ao conservadorismo, um combate não pode substituir o outro.
Voltando à atitude da Ministra, tem muita gente boa analisando que essas frases de efeito são "cortina de fumaça" para que a população fixe a discussão nestas questões que abordam costumes e não percebam a gravidade do momento econômico e político: motorista que recebe os salários dos funcionários do Gabinete "de volta" e deposita parte deste dinheiro na conta da primeira dama; depósitos empresariais que financiaram a campanha de Bolsonaro via watsap, e que se configuram em caixa 2 de campanha; das propostas de privatização; denúncias em relação à ONG da qual a Ministra participa, etc. Eu entendo estas análises (que destinam este lugar de "cortina de fumaça" para o que é anunciado verbalmente) e concordo em parte. Em parte, porque quando a Ministra diz "meninos vestem azul e meninas vestem rosa" existe um efeito prático e imediato na sociedade. Foi muita luta para contradizer e desmistificar essa mensagem, são anos de trabalho na formação de professores tentando colaborar para que docentes percebam a ligação entre isto (esse pensamento dela que expressa um pensamento muito forte a 20 anos atrás) e a desigualdade social, política e econômica entre homens e mulheres. Eu penso que hoje devem ter muitas crianças sendo agredidas pela cor que usam, mais do que ontem, assim, por uma simples frase dita por alguém que, no cargo em que ocupa, deveria defender estas crianças agredidas em seus direitos de, no mínimo, usar a cor que quiserem (sem falar em outros direitos - comer, estudar, ter lar, teto, renda mínima familiar para seu sustento) e não contribuir para que sejam agredidas.
Eu penso que dizer isso (meninos vestem azul e meninas vestem rosa) é de uma irresponsabilidade e causa um mal social suficiente para exigir que ela saia do cargo que ocupa. Preocupa-me, também, não responder a estas agressões à Constituição que são anunciadas, e realizadas, por meio da linguagem. Eu concordo, em parte, com a ideia da "cortina de fumaça", porque essas frases e ideias que despertam de um passado horrível (de submissão feminina aos mais absurdos atos machistas, sexistas) e de fato atraem toda a mídia e a pauta para isso, mas não responder me parece, ainda, apostar que pela discussão só das propostas econômicas deste governo, conseguiremos reverter o quadro conservador que chegou ao governo. Da discussão econômica, pouca gente sabe, pouca gente entende e pouca gente tem interesse em saber. As pessoas preferem as soluções mágicas na economia, como se bastasse eleger este ou aquele, que tudo se resolveria, e isso também precisa ser combatido. Eu penso que há ligação entre a "aprovação" do governo e: (1) esta postura reacionária e, (2) o neoliberalismo que ele pretende na economia. No meu entendimento, este pensamento conservador que lhe assegura votos, simpatia, e por isso penso que devemos trabalhar na denúncia destes discursos também, porque eles têm um poder de jogar para exclusão social e econômica muita gente, a exclusão não se dá apenas pelas propostas econômicas defendidas pelo neioliberalismo. Acho que são dois campos de combate, para quem defende uma sociedade outra: as questões ligadas ao neoliberalismo e as questões ligadas ao conservadorismo, um combate não pode substituir o outro.
terça-feira, 1 de janeiro de 2019
Indicação de Lula para prêmio Nobel da Paz
Lula está sendo indicado ao prêmio Nobel da Paz pela sua contribuição à luta contra fome e a pobreza no Brasil. A iniciativa da indicação foi de Adolfo Pérez Esquivel, Nobel da Paz em 1980.
Se você for professor universitário emérito ou associado, das áreas de "história, ciências sociais, direito, filosofia, teologia e religião, reitores universitários e diretores de universidades (ou equivalentes) [...]" você pode participar do movimento internacional de indicação do Lula para o prêmio. Esquivel sugere que façamos nossa indicação identificando-nos com o Movimento Pró Lula, que envolve milhares de pessoas.
Se você não pertence, de fato, a uma das categorias expressas no site, não adianta levar sua indicação adiante, porque os dados serão confirmados antes de sua indicação ser aceita. Neste caso, apenas assine este abaixo-assinado, do qual todxs podem participar: https://www.change.org/p/premio-nobel-de-la-paz-para-lula-da-silva-pr%C3%AAmio-nobel-da-paz-a-lula-da-silva-nobel-peace-prize-to-lula-da-silva-friedensnobelpreis-an-lula-da-silva-premio-nobel-per-la-pace-a-lula-da-silva-nobelparalula
Para os professores universitários eméritos ou associados, das áreas citadas anteriomente, o primeiro passo para participar da indicação é entrando no link a seguir, ali você vai identificar-se com a categoria a que você pertence. Vários colegas, professores eméritos ou associados, podem fazer isto. Depois que você marca a sua categoria (opções objetivas), abre uma janela para especificar a área, no caso, a minha é "ciências sociais".
Na próxima janela "Nex Step" você precisa colocar seu primeiro nome, seu último nome, sua Instituição, seu e-mail, seu endereço (pode oferecer dois endereços, mas é obrigatório apenas um), seu Cep, sua cidade e seu país.
Depois, clique em "requeira seu formulário" (Request your form).
Este é o primeiro link (para fazer os procedimentos acima descritos):
https://www.nobelpeaceprize.org/Nomination/Nominator-application-form
Feito isso, você vai receber em seu e-mail uma mensagem com acesso ao seu formulário para propor a candidatura, você poderá propor até cinco candidaturas, mas apenas 3 pessoas ou instituições poderão receber o Prêmio Nobel. Para acessar ao formulário onde de fato você vai propor a candidatura, você precisa criar uma senha com muitos detalhes (Uma letra maiúscula, uma minúscula, um caractere especial, números e mais de 8 caracteres, o site vai verificando cada necessidade, no momento da criação da senha e você pode identificar qual critério não está sendo atendido).
Para propor a candidatura neste formulário eletrônico que você vai preencher, você precisará:
O nome do candidato (Luiz Inácio Lula da Silva)
Uma breve justificativa para a nomeação (até 200 caracteres, com espaços), Esquivel propõe o combate à pobreza e a luta pela erradicação da fome no país, para o que temos dados bastante completos.
Uma sugestão de texto seria:
I nominate the Nobel Peace Prize President Luiz Inácio Lula da Silva, four to combat poverty and fight for the eradication of hunger in the country.
E um texto mais longo (máximo até 2.000 caracteres) explicando porque a pessoa indicada merece o prêmio. O formulário também avisa que seus dados serão verificados (a veracidade de sua categoria, indicada no formulário) e guardados pelo Instituto que concede o prêmio. Portanto, se você não se enquadra na categoria, não adianta se inscrever, receber o formulário eletrônico e fazer a indicação.
O e-mail que você receberá após requisitar o formulário de indicação, traz um link para você criar uma conta de acesso, válida por 30 minutos, para que você faça indicação para o prêmio.
Aqui você pode assistir a um vídeo do jornalista Eduardo Guimarães explicando para os professores universitários que que se enquadram nas categorias citadas pelo Instituto Nobel a importância de participar: https://m.youtube.com/watch?v=iJUgQiklQjc
Aqui segue meu texto, utilizado para a indicação que já realizei, autorizo a cópia, se alguém estiver com pressa e dificuldade de fazer seu próprio texto.
Em 2010, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (mandatos 01/01/2003 a 01/01/2011) foi condecorado pela Organização das Nações Unidas (ONU) com o título de “Campeão Mundial na Luta Contra a Fome”. Fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/2010/05/lula-leva-titulo-de-campeao-mundial-na-luta-contra-fome-pela-onu.html
In 2010, President Luiz Inácio Lula da Silva (mandates 01/01/2003 to 01/01/2011) was decorated by the United Nations (UN) with the title of "World Champion in the Fight Against Hunger".
Fonte: http://g1.globo.com/politica/noticia/2010/05/lula-leva-titulo-de-campeao-mundial-na-luta-contra-fome-pela-onu.html
Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e para a Agricultura - FAO, em 2014, o Brasil saiu do Mapa Mundial da Fome. Os dados foram revelados pelo relatório o Estado da Insegurança Alimentar no Mundo da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Fonte: http://www.fao.org/brasil/fao-no-brasil/brasil-em-resumo/pt/
According to data from the Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO), in 2014, Brazil left the World Map of Hunger. The data were revealed by the State of Food Insecurity in the World report of the United Nations Food and Agriculture Organization (FAO). Source:
http://www.fao.org/brasil/fao-no-brasil/brasil-em-resumo/pt/
Ajudou ao Brasil sair do mapa da fome, segundo a ONU, o crescimento da renda dos 20% mais pobres da população. Fonte: https://nacoesunidas.org/crescimento-da-renda-dos-20-mais-pobres-ajudou-brasil-a-sair-do-mapa-da-fome-diz-onu/
It helped Brazil to leave the hunger map, according to the UN, the income growth of the poorest 20% of the population. Source:
https://nacoesunidas.org/crescimento-da-renda-dos-20-mais-pobres-ajudou-brasil-a-sair-do-mapa-da-fome-diz-onu/
Foram políticas públicas de combate à fome e de promoção da segurança social que melhoraram a vida de milhões de brasileiros, Lula merece este prêmio, o Brasil merece o reconhecimento internacional de uma grande liderança política, hoje presa sem que seus direitos Constitucionais sejam respeitados. Faço parte, com milhões de brasileiros, do Comitê de Libertação de Lula.
Lula deserves this award, Brazil deserves the international recognition of a great political leadership, today imprisoned without its constitutional rights being respected. I am part, with millions of Brazilians, of the Lula Liberation Committee.
#FreLula #LulaNobel
quinta-feira, 25 de outubro de 2018
Principais manipulações de informações que justificaram votos em Bolsonaro
Argumentos que levaram o país a eleger a extrema direita:
1 - O PT quebrou o Brasil
Este argumento não se sustenta quando observamos os dados:
Produto Interno Bruto:*
*2002
– R$ 1,48 trilhões*
*2013
– R$ 4,84 trilhões*
*2.
PIB per capita:*
*2002
– R$ 7,6 mil*
*2013
– R$ 24,1 mil*
*3.
Dívida líquida do setor público:*
*2002
– 60% do PIB*
*2013
– 34% do PIB*
*4.
Lucro do BNDES:*
*2002
– R$ 550 milhões*
*2013
– R$ 8,15 bilhões*
*5.
Lucro do Banco do Brasil:*
*2002
– R$ 2 bilhões*
*2013
– R$ 15,8 bilhões*
*6.
Lucro da Caixa Econômica Federal:*
*2002
– R$ 1,1 bilhões*
*2013
– R$ 6,7 bilhões*
*7.
Produção de veículos:*
*2002
– 1,8 milhões*
*2013
– 3,7 milhões*
*8.
Safra Agrícola:*
*002
– 97 milhões de toneladas*
*2013
– 188 milhões de toneladas*
*9.
Investimento Estrangeiro Direto*:
*2002
– 16,6 bilhões de dólares*
*2013
– 64 bilhões de dólares*
*10.
Reservas Internacionais:*
*2002
– 37 bilhões de dólares*
*2013
– 375,8 bilhões de dólares*
*11.
Índice Bovespa:*
*2002
– 11.268 pontos*
*2013
– 51.507 pontos*
*12.
Empregos Gerados:*
*Governo
FHC – 627 mil/ano*
*Governos
Lula e Dilma – 1,79 milhões/ano*
*13.
Taxa de Desemprego:*
2002
– 12,2%
2013
– 5,4%
*14.
Valor de Mercado da Petrobras:*
*2002
– R$ 15,5 bilhões*
*2014
– R$ 104,9 bilhões*
*15.
Lucro médio da Petrobras:*
*Governo
FHC – R$ 4,2 bilhões/ano*
*Governos
Lula e Dilma – R$ 25,6 bilhões/ano*
*16.
Falências Requeridas em Média/ano:*
*Governo
FHC – 25.587*
*Governos
Lula e Dilma – 5.795*
*17.
Salário Mínimo*:
*2002
– R$ 200 (1,42 cestas básicas)*
*2014
– R$ 724 (2,24 cestas básicas)*
*18.
Dívida Externa em Relação às Reservas:*
*2002
– 557%*
*2014
– 81%*
*19.
Posição entre as Economias do Mundo:*
*2002
– 13ª*
*2014
– 7ª*
*20.
PROUNI – 1,2 milhões de bolsas*
*21.
Salário Mínimo Convertido em Dólares:*
*2002
– 86,21*
*2014
– 305,00*
*22.
Passagens Aéreas Vendidas:*
*2002
– 33 milhões*
*2013
– 100 milhões*
*23.
Exportações:*
*2002
– 60,3 bilhões de dólares*
*2013
– 242 bilhões de dólares*
*24.
Inflação Anual Média:*
*Governo
FHC – 9,1%*
*Governos
Lula e Dilma – 5,8%*
*25.
PRONATEC – 6 Milhões de pessoas*
*26.
Taxa Selic:*
*2002
– 18,9%*
*2015
– 14,25%*
*27.
FIES – 1,3 milhões de pessoas com financiamento universitário*
*28.
Minha Casa Minha Vida – 1,5 milhões de famílias beneficiadas*
*29.
Luz Para Todos – 9,5 milhões de pessoas beneficiadas*
*30.
Capacidade Energética:*
*2001
– 74.800 MW*
*2013
– 122.900 MW*
*31.
Criação de 6.427 creches*
*32.
Ciência Sem Fronteiras – 100 mil beneficiados*
*33.
Mais Médicos (Aproximadamente 14 mil novos* *profissionais):50*
*milhões
de beneficiados*
*34.
Brasil Sem Miséria – Retirou 22 milhões da extrema pobreza*
*35.
Criação de Universidades Federais:*
*Governos
Lula e Dilma – 18*
*Governo
FHC – zero*
*36.
Criação de Escolas Técnicas:*
*Governos
Lula e Dilma – 214*
*Governo
FHC* *– 0*
*De
1500 até 1994 – 140*
*37.
Desigualdade Social:*
*Governo
FHC* *– Queda de 2,2%*
*Governo
PT* – *Queda de 11,4%*
*38.
Produtividade:*
*Governo
FHC* *– Aumento de 0,3%*
*Governos
Lula e Dilma* *– Aumento de 13,2%*
*39.
Taxa de Pobreza:*
*2002
– 34%*
*2012
– 15%*
*40.
Taxa de Extrema Pobreza:*
*2003
– 15%*
*2012
– 5,2%*
*41.
Índice de Desenvolvimento Humano:*
*2000
– 0,669*
*2005
– 0,6992*
*2012
– 0,730*
*42.
Mortalidade Infantil:*
*2002
– 25,3 em 1000 nascidos vivos*
*2012
– 12,9 em 1000 nascidos vivos*
*43.
Gastos Públicos em Saude 😗
*2002
– R$ 28 bilhões*
*2013
– R$ 106 bilhões*
*44.
Gastos Públicos em Educação:*
*2002
– R$ 17 bilhões*
*2013
– R$ 94 bilhões*
*45.
Estudantes no Ensino Superior:*
*2003
– 583.800*
*2012
– 1.087.400*
*46.
Risco Brasil (IPEA):*
*2002
– 1.446*
*2013
– 224*
*47.
Operações da Polícia Federal:*
*Governo
FHC – 48*
*Governo
PT – 1.273 (15 mil presos)*
*48.
Varas da Justiça Federal:*
*2003
– 100*
*2010
– 513*
*9. 38 milhões de pessoas* *ascenderam à Nova Classe Média (Classe C)*
*50.
42 milhões de pessoas saíram da miséria*
*FONTES:*
*47/48*–
http://www.dpf.gov.br/agencia/estatisticas
*39/40*–
http://www.washingtonpost.com
*42
– OMS, Unicef, Banco Mundial e ONU*
*37
– índice de GINI:* http://www.ipeadata.gov.br
*45
– Ministério da Educação*
*13
– IBGE26 – Banco Mundial*
11/09/17
Não esqueça que, em 2014, Aécio Neves, porque não ganhou as eleições, atiçou a fogueira com mais comparsas envolvidos em ligações com a corrupção, aproveitando o clima de crise econômica causado pela desvalorização do barril de Petróleo, pela valorização do dólar e pela crise hídrica, para atirar o país no mais vergonhoso processo de impedimento que já assistimos. Dois dias após a retirada definitiva da Presidenta eleita Dilma, as "pedaladas" foram consideradas legais pelo Congresso. As pautas bomba de Cunha fizeram parte do grande acordo nacional, com Supremo, com tudo, para que Dilma não conseguisse governar. Lembrem também do absurdo impedimento a que Lula fosse Ministro de Dilma, outro vexame jurídico e político desta República que, agora sabe-se, é muito mais de laranjas do que de bananas.
"destruir o PT" é destruir o Brasil.
2 - Meu Pastor/Padre, minha verdade
As igrejas são instituições organizadas por seres humanos. Os interesses que as movem nem sempre são os mais nobres. Só pode ter alguma coisa errada se o teu orientador religioso (Pastor ou Padre) está dizendo para você votar em quem defende que criança aprenda a atirar com 5 anos, em quem é contra negros, indígenas, pobres, mulheres. Muitas das acusações que teu orientador religioso faz ao PT não se baseiam em fatos, mas em mentiras, o "kit gay" não é o Programa Escola sem Homofobia, que o governo desenvolveu. Estes livros que o Bolsonaro mostra nunca fizeram parte do Programa. O Programa era dedicado a combater as agressões que os estudantes homossexuais sofrem na escola. O seu orientador religioso foi enganado quanto a isto, pelas mentiras do Bolsonaro e de mais uma penca de religiosos que sequer reeleitos foram. Veja os filmes a seguir e julgue, seria um voto "cristão" votar nessa pessoa? Você confia a educação de seus filhos a ele? Como confiar a ele um país?
Um ensinamento que une qualquer cristão é de que não devemos odiar o próximo, é preciso amar o próximo, Cristo teve sua vida na terra dedicada à proteção dos mais fracos, ao amor ao próximo. Os seres humanos erram, pode ser esse o caso do teu Pastor ou Padre, dificuldade de "interpretação", para saber quem tá certo, reze, peça orientação direto com o Ser Supremo, sobre o que você deve fazer, não abra mão de pensar sobre os fatos. Você pode ir à Igreja, encontrar seus amigos e até ver uns demônios serem expulsados de alguém de vez em quando, mas não deixe que expulsem teu cérebro de teu corpo.
1)
PRIVILÉGIOS: “não abro mão”
4)
ECA: “deve ser rasgado e jogado na latrina”
5)
QUILOMBOLA: “nem para procriar serve”
6)
MULHERES: “se empregasse pagaria menos que um homem”
7)
MULHERES 2: “minha filha nasceu de uma fraquejada”
8)MULHERES
3: “Ela não merece (ser estuprada) porque ela é muito ruim, porque ela é muito
feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria”
9)
TORTURA: “sou favorável”
10)
DEMOCRACIA: “através do voto você não vai mudar nada nesse país”
11)
PENA DE MORTE: “é uma boa saída”
12)
HOMOSSEXUAIS: “prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com
um bigodudo por aí”
13)
HOMOSSEXUAIS 2: “ter filho gay é falta de porrada”
14)
HOMOSSEXUAIS 3: “ninguém gosta, a gente suporta”
15)
ECONOMIA: “não entendo”
16)
RACISMO: “não existe isso no Brasil”
17)
IMIGRANTES: “a escória do mundo”
18)
ARMAS NAS MÃOS DE CRIANÇAS: “evita geração de covardes”
19)
EDUCAÇÃO: “ninguém quer saber do jovem com senso crítico”
20)
SEGURANÇA: “vou dar carta branca para policial matar”
21)
POBRES: “a única utilidade do pobre é votar”
3 - Saudade da Ditadura
Refrescando a memória:
4 - Elite "quero meu país de volta"
Há uma elite que trabalha pouco, porque tem muita herança, e outra que trabalha muito, mas que porque tem empregados e uma papelaria ou loja de roupas pensa que o trabalhador se dando mal ela vai se dar bem. Falta civilidade, empatia, estudo e informações de melhor qualidade. Esse grupo (quem é e quem não é, de fato, elite, mas pensa que é), precisa crescer intelectual e emocionalmente. Quando conseguir, poderá ver o mundo de forma mais dolorida, porque a complexidade, efemeridade e instabilidade do mundo é intensa, mas é mais humano dar-se conta dela do que viver do passado. Sua vida, efetivamente, poderá fazer mais sentido se for aproveitada de forma mais consciente e responsável para com os outros.
#EleiçõesBrasil2018 #BolsonaroNao #EleNao #HaddadManuSim
Os eleitores de Bolsonaro
Vejo quatro categorias de eleitores em Bolsonaro,
1. Pessoas que, vivendo a crise desencadeada pelo impedimento da Dilma em exercer seu mandato (2014), assimilaram a narrativa dos Partidos que deram o Golpe (capitaneados pelo PMDB e PSDB) e não conseguiram apresentar uma resposta à crise. O resultado do impedimento foi perda de direitos (reforma trabalhista que torna possível a terceirização em qualquer nível); congelamento dos investimentos em educação e saúde (o que já apresenta resultados na piora dos atendimentos nos dois níveis); acentuação do desemprego; aumento da violência nas cidades e no campo; crise política prolongada; proteção dos que estão no governo, envolvidos em corrupção (com provas em vídeos, áudios e documentos). Sim, de fato tudo piorou, o país está parado desde o início do impedimento, com as pautas-bomba do Cunha (hoje preso, mas que, mesmo preso, continuava recebendo 500 mil reais por semana, com o aval do Temer, que disse para o empresário Joesley, JBS, "tem que manter isso aí"); a discussão sobre o impedimento em si, "o grande acordo nacional, com o Supremo e com tudo"; fatos que, comprovados - com provas materiais e não obscuras convicções - ajudaram na desmoralização da política, do Congresso, do Supremo, das primeiras e segundas instâncias do judiciário. A população brasileira passou muito tempo ouvindo cotidianamente a desmoralização do Congresso, as notícias da grande imprensa sempre priorizaram o que não funciona, as gaiatices, as fanfarras, o lixo da política. Essa forma de (des)informar ocultou a instrução dos direitos, das legislações, das propostas democráticas de muitas comissões e projetos do país. quem passou os últimos 20 anos ouvindo a imprensa pelos poderosos canais de tv só viu o ruim, o que não presta, o execrável. O processo de impedir a Presidenta Dilma de governar e o seu afastamento, por um Congresso velho, oligarca, sem respeito pelos 54 milhões de votos, só contribuiu para reforçar esta descrença na política, como ferramenta de construção de uma sociedade melhor, no Congresso e no Supremo, em especial. Passado o primeiro turno das eleições de 2018, verifica-se a derrota política dos Partidos centrais do Golpe: o PMDB de Temer (que traiu Dilma) e o PSDB de Aécio (que não aceitou os resultados da última eleição e desencadeou o processo que resultou na extensão da proteção de Cunha, grande articulador do Golpe, com seus cerca de 200 deputados financiados, até onde foi possível). Temer (que rompeu com o compromisso para o qual foi eleito - implementar o Programa do PT) implementou o plano de governo do PSDB (rejeitado nas eleições). Esse eleitorado, que recebe e reproduz a leitura de que "o PT quebrou o país", pensa que, diante do fracasso da política, lhes resta alguém capaz de "varrer" o PT da política, prender o Gilmar Mendes, fechar o Congresso, se preciso, desde que coloque o país novamente (mesmo que ele não aceite que este rumo já estava aí antes, com Lula e Dilma) no rumo do desenvolvimento. Esse eleitorado, na esteira do refrão "o PT quebrou o país", também acredita no que lhe dizem os meios de informação a que acessa: a política de bolsas e inclusão social é que levou o país à crise econômica, a Dilma não sabia negociar (neste caso o eleitorado "apaga" o que era o Congresso capitaneado pelo Cunha, em articulação com Aécio e com o traidor do Temer). Para esse povo (1) não existiu a crise internacional do petróleo, em 2014, a partir da ação da Arábia Saudita em baixar o preço de venda do Barril de U$ 100,00 para menos de U$ 50,00 (o barril chegou a U$ 30,00, no auge da crise), fazendo com que as contas do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, South África) se desequilibrassem, afetando a geopolítica Rússia x EUA. No Brasil, esta crise atingiu de cheio a Petrobras, que tinha, em alguns campos, extração do Barril a um custo de U$ 70,00 e que, diante da queda do preço, precisou parar estes campos, gerando desemprego e prejuízos localizados. O Petróleo representava 7,5% do PIB brasileiro e 15% da capacidade de investimento; além dessa crise imensa, no mesmo ano, a Presidenta teve que enfrentar a crise hídrica (e seus efeitos nos custos da energia) e a revalorização (internacional do dólar) associado ao problema interno causado pela Lava Jato, que paralisa as grandes empreiteiras nacionais (a apuração e punição da empresas não poderia ter acontecido sem provocar a paralisação das mesmas? A Globo merecia seu processo de sonegação de impostos correr em segredo de justiça e as empreiteiras não?). Todos estes fatores foram explicados no início do segundo mandato da Presidenta Dilma, no momento da opção de implementar, sob a batuta de um nome indicado "pelo mercado" para a economia, o "ajuste fiscal" e foram exaustivamente comprovados durante o processo de impedimento. Quem batia panela deixou de ouvir e, com financiamento internacional de grupos jovens que passaram a atuar na política (no que deveria ser uma onda de "liberalismo econômico", mas que se tornou num centro de fake news, distorção, liberalismo conservador, etc) o que aconteceu foi o estímulo da ideia de que a política precisa ser "higienizada". Repetindo, a crise real (comprovada internacionalmente, com documentos, pesquisas, dados) foi "apagada" e as políticas do PT, que mais contribuiriam para superação da crise (política de investimento e conteúdo nacional, proteção social, renda mínima) passaram a ser responsabilizadas, pela turma do Golpe, por uma crise que foi internacional. Seria cômico, se não fosse trágico. Esse eleitorado do Bolsonaro baseia seu voto na necessidade de tirar o PT, porque não enxerga as políticas que deram certo, e reproduzem o discurso (local e equivocado) de que "a crise é culpa do PT".
2. Pessoas que têm na Igreja seu espaço de socialização e acreditam que Deus se expressa na voz do Pastor/Padre. O Pastor/Padre lhe diz que o mundo está perdido porque existe uma Constituição que está acima da Bíblia; que a família está se perdendo porque os políticos corruptos estão prevaricando e que a sociedade, regida pela Constituição, é muito benevolente com quem não é cristão, com quem é gay, com a juventude que "pode fazer o que quer", com mulheres que "querem se colocar acima dos homens"; que a ordem de Deus (na compreensão estreita do Pastor/Padre) é que só o homem é a imagem de Deus, a mulher é a costela, aquilo que aleijou o homem, portanto, está aqui para servi-lo e compensá-lo. "Deus acima de todos", deixa de ser "existe uma força maior que tudo pode e tudo vê e que deseja o bem e a paz", para se tornar "todos devem estar subordinados à vontade de Deus, expressada pelo seu representante, Pastor/Padre" e não à Constituição. Deus, neste caso, é a figura e a narrativa própria de um determinado grupo de Pastores/Padres, os inimigos da família passam a ser os que o Pastor/Padre determinar. Nada melhor que um grupo de esquerda para personificar aqueles que defendem Programas anti-homofobia nas escolas, conversam com grupos de mulheres, negros, indígenas e gays que buscam políticas de reparação/proteção às "minorias". Este grupo de eleitores, grosso modo, acredita que o Pastor/Padre fala por Deus, portanto, fala "a verdade": é preciso se proteger da esquerda, pois as pautas da esquerda, aborto, entre elas, são anti cristãs, é preciso colocar a Bíblia acima da Constituição, para todos. Esse mesmo grupo nega Cristo como amor, a passagem de Maria Madalena... Nem pensar... A denúncia dos "vendilhões do templo", desconhecem, a diferença não precisa ser acolhida, precisa ser subordinada ou aniquilada.
3. Pessoas que têm saudade da Ditadura civil militar no Brasil (1964-1985), negam/desconhecem a corrupção que rolou solta na época, a desvalorização brutal do salário mínimo, a ausência do direito à organização na defesa de interesses sociais e de trabalho, acreditam que uns poucos foram torturados e mortos, estes mereceram. Juntam-se nessa categoria os militares de coturno e pijamas (que até hoje conservam as pensões para filhas solteiras); cinquentões moradores da Zona Sul (que vivem de aluguéis e esportes de praia e sempre ouviram dos pais o quanto a Ditadura "era segura") e a juventude "bombada" em anabolizante, que bate em empregada doméstica em ponto de ônibus (porque "achou que era prostituta"), mata queimado índio ("porque achou que era mendigo"), agride bêbada o Chico Buarque (e qualquer defensor do PT adesivado no Leblon) e que protagonizou a terrível cena no metrô do Rio, de eleitores de Bolsonaro urrando a palavra de ordem "Bolsonaro vai matar 'viado' ".
4. a turma que reivindica "quero meu país de volta" (um desejo de retorno da escravidão), formada por parte da elite classe média (não você, refiro-me à classe média mesmo, que mora em apartamento próprio e bem localizado, IPTU de 50 mil para cima, carro de mais de 120 mil), que odeia a lei das domésticas, as cotas para as Universidades públicas (mesmo que seus filhos estudem no exterior), que tem orgasmo quando diz "a corrupção do PT" e se vangloria, com os amigos, de que compra a mercadoria na "meia nota", de que tem um "funcionário público de estimação no Detran" para resolver de forma "personalizada" seus problemas, que pratica a corrupção cotidianamente, "sonega tudo o que puder", etc. Bem descrita como "elite do atraso", por Jesse Souza, egoísta e hipócrita, não consegue olhar em volta, perceber o mundo e o quanto uma sociedade melhor desenvolvida poderia ajudar "o seu próprio negócio".
A tecnologia das mensagens enviadas a cada um dos públicos, direcionada pelo senso que move cada segmento, em separado: "o PT acabou com o Brasil"; "o meu Pastor/Padre é a palavra de Deus"; "o problema do Brasil foi ter matado pouco" (para um país em que apresenta mais de 60 mil homicídios por ano, em 2016); "quero meu país de volta", associada às fake news e ao Caixa 2 que o financiou (as empresas que contrataram os pacotes de envio de mensagens) resultaram no desafio que se tem hoje: votar em Bolsonaro é fortalecer os 4 grupos, em detrimento não do PT em si, mas de qualquer projeto que aposte na justiça social como finalidade e na solidariedade como meio para construção de um país menos desigual.
Essas 4 turmas, juntas, representam quase 50 milhões de votantes, um misto de ignorância, fé cega no Pastor/Padre, torturadores e assassinos em potencial e hipócritas safados. O Brasil está doente, precisa muito investimento em terapia, formação, cultura, informação, saúde pública, muita responsabilização pelos próprios atos, instituições fortes e independentes para resolver isto. As eleições do dia 28 próximo estão longe de resolver esta crise que é moral e estrutural.
A barbárie, anunciada por diversas vezes pelo candidato Bolsonaro, sua incapacidade de lidar com o debate de ideias; com quem pensa diferente e de produzir algo de positivo para o país, afirmada na sua infame experiência parlamentar (ausência de projetos aprovados em 30 anos de exercício de cargo parlamentar; elogio a torturador confesso, incapacidade de lidar com o divergente, desrespeito pelo outro, contratação de funcionária fantasma, declarações aberrantes quanto a suas práticas e sua forma de entender e fazer política, entre outras) e reiterada no discurso violento e fascista, proferido a seus eleitores no domingo passado ("os esquerdistas ou aceitam as 'nossas' leis ou vão embora do país ou serão presos", "a solução será a ponta da praia", etc) tem grande chance de chegar ao poder por meio das eleições. A vitória de Haddad também pode acontecer, é evidente. O discurso de ódio de Bolsonaro, e a adesão de formadores de opinião à campanha por Haddad, podem evitar a catástrofe, mas estas pessoas (doentes, desinformadas, cegas pela fé em quem se diz "representante" de Deus, de má índole e atrasadas, do ponto de vista do desenvolvimento da cidadania) vão continuar aí, ameaçando, espreitando a próxima crise mundial para avançar sobre o poder que não conseguem, democraticamente, alcançar.
#EleiçõesDesafios #Eleições2018
#BolsonaroNão #EleNao #HaddadManuSim
1. Pessoas que, vivendo a crise desencadeada pelo impedimento da Dilma em exercer seu mandato (2014), assimilaram a narrativa dos Partidos que deram o Golpe (capitaneados pelo PMDB e PSDB) e não conseguiram apresentar uma resposta à crise. O resultado do impedimento foi perda de direitos (reforma trabalhista que torna possível a terceirização em qualquer nível); congelamento dos investimentos em educação e saúde (o que já apresenta resultados na piora dos atendimentos nos dois níveis); acentuação do desemprego; aumento da violência nas cidades e no campo; crise política prolongada; proteção dos que estão no governo, envolvidos em corrupção (com provas em vídeos, áudios e documentos). Sim, de fato tudo piorou, o país está parado desde o início do impedimento, com as pautas-bomba do Cunha (hoje preso, mas que, mesmo preso, continuava recebendo 500 mil reais por semana, com o aval do Temer, que disse para o empresário Joesley, JBS, "tem que manter isso aí"); a discussão sobre o impedimento em si, "o grande acordo nacional, com o Supremo e com tudo"; fatos que, comprovados - com provas materiais e não obscuras convicções - ajudaram na desmoralização da política, do Congresso, do Supremo, das primeiras e segundas instâncias do judiciário. A população brasileira passou muito tempo ouvindo cotidianamente a desmoralização do Congresso, as notícias da grande imprensa sempre priorizaram o que não funciona, as gaiatices, as fanfarras, o lixo da política. Essa forma de (des)informar ocultou a instrução dos direitos, das legislações, das propostas democráticas de muitas comissões e projetos do país. quem passou os últimos 20 anos ouvindo a imprensa pelos poderosos canais de tv só viu o ruim, o que não presta, o execrável. O processo de impedir a Presidenta Dilma de governar e o seu afastamento, por um Congresso velho, oligarca, sem respeito pelos 54 milhões de votos, só contribuiu para reforçar esta descrença na política, como ferramenta de construção de uma sociedade melhor, no Congresso e no Supremo, em especial. Passado o primeiro turno das eleições de 2018, verifica-se a derrota política dos Partidos centrais do Golpe: o PMDB de Temer (que traiu Dilma) e o PSDB de Aécio (que não aceitou os resultados da última eleição e desencadeou o processo que resultou na extensão da proteção de Cunha, grande articulador do Golpe, com seus cerca de 200 deputados financiados, até onde foi possível). Temer (que rompeu com o compromisso para o qual foi eleito - implementar o Programa do PT) implementou o plano de governo do PSDB (rejeitado nas eleições). Esse eleitorado, que recebe e reproduz a leitura de que "o PT quebrou o país", pensa que, diante do fracasso da política, lhes resta alguém capaz de "varrer" o PT da política, prender o Gilmar Mendes, fechar o Congresso, se preciso, desde que coloque o país novamente (mesmo que ele não aceite que este rumo já estava aí antes, com Lula e Dilma) no rumo do desenvolvimento. Esse eleitorado, na esteira do refrão "o PT quebrou o país", também acredita no que lhe dizem os meios de informação a que acessa: a política de bolsas e inclusão social é que levou o país à crise econômica, a Dilma não sabia negociar (neste caso o eleitorado "apaga" o que era o Congresso capitaneado pelo Cunha, em articulação com Aécio e com o traidor do Temer). Para esse povo (1) não existiu a crise internacional do petróleo, em 2014, a partir da ação da Arábia Saudita em baixar o preço de venda do Barril de U$ 100,00 para menos de U$ 50,00 (o barril chegou a U$ 30,00, no auge da crise), fazendo com que as contas do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, South África) se desequilibrassem, afetando a geopolítica Rússia x EUA. No Brasil, esta crise atingiu de cheio a Petrobras, que tinha, em alguns campos, extração do Barril a um custo de U$ 70,00 e que, diante da queda do preço, precisou parar estes campos, gerando desemprego e prejuízos localizados. O Petróleo representava 7,5% do PIB brasileiro e 15% da capacidade de investimento; além dessa crise imensa, no mesmo ano, a Presidenta teve que enfrentar a crise hídrica (e seus efeitos nos custos da energia) e a revalorização (internacional do dólar) associado ao problema interno causado pela Lava Jato, que paralisa as grandes empreiteiras nacionais (a apuração e punição da empresas não poderia ter acontecido sem provocar a paralisação das mesmas? A Globo merecia seu processo de sonegação de impostos correr em segredo de justiça e as empreiteiras não?). Todos estes fatores foram explicados no início do segundo mandato da Presidenta Dilma, no momento da opção de implementar, sob a batuta de um nome indicado "pelo mercado" para a economia, o "ajuste fiscal" e foram exaustivamente comprovados durante o processo de impedimento. Quem batia panela deixou de ouvir e, com financiamento internacional de grupos jovens que passaram a atuar na política (no que deveria ser uma onda de "liberalismo econômico", mas que se tornou num centro de fake news, distorção, liberalismo conservador, etc) o que aconteceu foi o estímulo da ideia de que a política precisa ser "higienizada". Repetindo, a crise real (comprovada internacionalmente, com documentos, pesquisas, dados) foi "apagada" e as políticas do PT, que mais contribuiriam para superação da crise (política de investimento e conteúdo nacional, proteção social, renda mínima) passaram a ser responsabilizadas, pela turma do Golpe, por uma crise que foi internacional. Seria cômico, se não fosse trágico. Esse eleitorado do Bolsonaro baseia seu voto na necessidade de tirar o PT, porque não enxerga as políticas que deram certo, e reproduzem o discurso (local e equivocado) de que "a crise é culpa do PT".
2. Pessoas que têm na Igreja seu espaço de socialização e acreditam que Deus se expressa na voz do Pastor/Padre. O Pastor/Padre lhe diz que o mundo está perdido porque existe uma Constituição que está acima da Bíblia; que a família está se perdendo porque os políticos corruptos estão prevaricando e que a sociedade, regida pela Constituição, é muito benevolente com quem não é cristão, com quem é gay, com a juventude que "pode fazer o que quer", com mulheres que "querem se colocar acima dos homens"; que a ordem de Deus (na compreensão estreita do Pastor/Padre) é que só o homem é a imagem de Deus, a mulher é a costela, aquilo que aleijou o homem, portanto, está aqui para servi-lo e compensá-lo. "Deus acima de todos", deixa de ser "existe uma força maior que tudo pode e tudo vê e que deseja o bem e a paz", para se tornar "todos devem estar subordinados à vontade de Deus, expressada pelo seu representante, Pastor/Padre" e não à Constituição. Deus, neste caso, é a figura e a narrativa própria de um determinado grupo de Pastores/Padres, os inimigos da família passam a ser os que o Pastor/Padre determinar. Nada melhor que um grupo de esquerda para personificar aqueles que defendem Programas anti-homofobia nas escolas, conversam com grupos de mulheres, negros, indígenas e gays que buscam políticas de reparação/proteção às "minorias". Este grupo de eleitores, grosso modo, acredita que o Pastor/Padre fala por Deus, portanto, fala "a verdade": é preciso se proteger da esquerda, pois as pautas da esquerda, aborto, entre elas, são anti cristãs, é preciso colocar a Bíblia acima da Constituição, para todos. Esse mesmo grupo nega Cristo como amor, a passagem de Maria Madalena... Nem pensar... A denúncia dos "vendilhões do templo", desconhecem, a diferença não precisa ser acolhida, precisa ser subordinada ou aniquilada.
3. Pessoas que têm saudade da Ditadura civil militar no Brasil (1964-1985), negam/desconhecem a corrupção que rolou solta na época, a desvalorização brutal do salário mínimo, a ausência do direito à organização na defesa de interesses sociais e de trabalho, acreditam que uns poucos foram torturados e mortos, estes mereceram. Juntam-se nessa categoria os militares de coturno e pijamas (que até hoje conservam as pensões para filhas solteiras); cinquentões moradores da Zona Sul (que vivem de aluguéis e esportes de praia e sempre ouviram dos pais o quanto a Ditadura "era segura") e a juventude "bombada" em anabolizante, que bate em empregada doméstica em ponto de ônibus (porque "achou que era prostituta"), mata queimado índio ("porque achou que era mendigo"), agride bêbada o Chico Buarque (e qualquer defensor do PT adesivado no Leblon) e que protagonizou a terrível cena no metrô do Rio, de eleitores de Bolsonaro urrando a palavra de ordem "Bolsonaro vai matar 'viado' ".
4. a turma que reivindica "quero meu país de volta" (um desejo de retorno da escravidão), formada por parte da elite classe média (não você, refiro-me à classe média mesmo, que mora em apartamento próprio e bem localizado, IPTU de 50 mil para cima, carro de mais de 120 mil), que odeia a lei das domésticas, as cotas para as Universidades públicas (mesmo que seus filhos estudem no exterior), que tem orgasmo quando diz "a corrupção do PT" e se vangloria, com os amigos, de que compra a mercadoria na "meia nota", de que tem um "funcionário público de estimação no Detran" para resolver de forma "personalizada" seus problemas, que pratica a corrupção cotidianamente, "sonega tudo o que puder", etc. Bem descrita como "elite do atraso", por Jesse Souza, egoísta e hipócrita, não consegue olhar em volta, perceber o mundo e o quanto uma sociedade melhor desenvolvida poderia ajudar "o seu próprio negócio".
A tecnologia das mensagens enviadas a cada um dos públicos, direcionada pelo senso que move cada segmento, em separado: "o PT acabou com o Brasil"; "o meu Pastor/Padre é a palavra de Deus"; "o problema do Brasil foi ter matado pouco" (para um país em que apresenta mais de 60 mil homicídios por ano, em 2016); "quero meu país de volta", associada às fake news e ao Caixa 2 que o financiou (as empresas que contrataram os pacotes de envio de mensagens) resultaram no desafio que se tem hoje: votar em Bolsonaro é fortalecer os 4 grupos, em detrimento não do PT em si, mas de qualquer projeto que aposte na justiça social como finalidade e na solidariedade como meio para construção de um país menos desigual.
Essas 4 turmas, juntas, representam quase 50 milhões de votantes, um misto de ignorância, fé cega no Pastor/Padre, torturadores e assassinos em potencial e hipócritas safados. O Brasil está doente, precisa muito investimento em terapia, formação, cultura, informação, saúde pública, muita responsabilização pelos próprios atos, instituições fortes e independentes para resolver isto. As eleições do dia 28 próximo estão longe de resolver esta crise que é moral e estrutural.
A barbárie, anunciada por diversas vezes pelo candidato Bolsonaro, sua incapacidade de lidar com o debate de ideias; com quem pensa diferente e de produzir algo de positivo para o país, afirmada na sua infame experiência parlamentar (ausência de projetos aprovados em 30 anos de exercício de cargo parlamentar; elogio a torturador confesso, incapacidade de lidar com o divergente, desrespeito pelo outro, contratação de funcionária fantasma, declarações aberrantes quanto a suas práticas e sua forma de entender e fazer política, entre outras) e reiterada no discurso violento e fascista, proferido a seus eleitores no domingo passado ("os esquerdistas ou aceitam as 'nossas' leis ou vão embora do país ou serão presos", "a solução será a ponta da praia", etc) tem grande chance de chegar ao poder por meio das eleições. A vitória de Haddad também pode acontecer, é evidente. O discurso de ódio de Bolsonaro, e a adesão de formadores de opinião à campanha por Haddad, podem evitar a catástrofe, mas estas pessoas (doentes, desinformadas, cegas pela fé em quem se diz "representante" de Deus, de má índole e atrasadas, do ponto de vista do desenvolvimento da cidadania) vão continuar aí, ameaçando, espreitando a próxima crise mundial para avançar sobre o poder que não conseguem, democraticamente, alcançar.
#EleiçõesDesafios #Eleições2018
#BolsonaroNão #EleNao #HaddadManuSim
quinta-feira, 23 de agosto de 2018
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