quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Manifesto em defesa da democracia, do estado de direito e do presidente Lula

Em defesa da democracia, do estado de direito
e do ex-presidente Lula

    
     O estado de direito democrático, consagrado na Constituição de 1988, é a mais importante conquista histórica da sociedade brasileira. Na democracia, o Brasil conheceu um período de estabilidade institucional e de avanços econômicos e sociais, tornando-se um país melhor e menos desigual, mas essa grande conquista coletiva encontra-se ameaçada por sucessivos ataques aos direitos e garantias, sob pretexto de combater a corrupção.

     A sociedade brasileira exige sim que a corrupção seja permanentemente combatida e severamente punida, respeitados o processo legal, o direito de defesa e a presunção de inocência, pois só assim o combate será eficaz e a punição, pedagógica. Por isso, na última década, o Brasil criou instrumentos de transparência pública e aprovou leis mais eficientes contra a corrupção, provendo os agentes do estado dos meios legais e materiais para cumprirem sua missão constitucional.

     Hoje, no entanto, o que vemos é a manipulação arbitrária da lei e o desrespeito às garantias por parte de quem deveria defendê-las. Tornaram-se perigosamente banais as prisões por mera suspeita; as conduções coercitivas sem base legal; os vazamentos criminosos de dados e a exposição da intimidade dos investigados; a invasão desregrada das comunicações pessoais, inclusive com os advogados; o cerceamento da defesa em procedimentos ocultos; as denúncias e sentenças calcadas em acusações negociadas com réus, e não na produção lícita de provas.

     A perversão do processo legal não permite distinguir culpados de inocentes, mas é avassaladora para destruir reputações e tem sido utilizada com indisfarçáveis objetivos político-eleitorais. A caçada judicial e midiática ao ex-presidente Lula é a face mais visível desse processo de criminalização da política, que não conhece limites éticos nem legais e opera de forma seletiva, visando essencialmente o campo político que Lula representa.
    
     Nos últimos 40 anos, Lula teve sua vida pessoal permanentemente escrutinada, sem que lhe apontassem nenhum ato ilegal. Presidiu por oito anos uma das maiores economias do mundo, que cresceu quatro vezes em seu governo, e nada acrescentou a seu patrimônio pessoal. Tornou o Brasil respeitado no mundo; conviveu com presidentes poderosos e líderes globais, conheceu reis e rainhas, e continua morando no mesmo apartamento de classe média em que morava 20 anos atrás.

      Como qualquer cidadão, Lula pode e deve ser investigado, desde que haja razões plausíveis, no devido processo legal. Mas não pode ser submetido, junto com sua família, ao vale-tudo acusatório que há dois anos é alardeado dentro e fora dos autos. Acusam-no de ocultar imóveis, que não são dele, apenas por ouvir dizer. Criminalizam sua atividade de palestrante internacional, ignorando que Lula é uma personalidade conhecida e respeitada ao redor do mundo. A leviandade dessas denúncias ofende a consciência jurídica e desrespeita a inteligência do público.

       A caçada implacável e injusta ocorre em meio a crescente processo de cerceamento da cidadania e das liberdades políticas, que abre caminho para a reversão dos direitos sociais. Líderes de movimentos sociais são perseguidos e até presos, manifestações de rua e ocupações de escolas são reprimidas com violência, jornalistas independentes são condenados por delito de opinião. Ao mesmo tempo, o sistema judiciário recua ao passado, restringindo o recurso ao habeas corpus e relativizando a presunção de inocência, garantias inalienáveis no estado de direito.


     Esse conjunto de ameaças e retrocessos exige uma resposta firme por parte de todos os democratas, acima de posições partidárias. Quando um cidadão é injustiçado – seja ele um ex-presidente ou um trabalhador braçal – cada um de nós é vítima da injustiça, pois somos todos iguais perante a lei. Hoje no Brasil, defender o direito de Lula à presunção da inocência, à ampla defesa e a um juízo imparcial é defender a democracia e o estado de direito.  É defender a liberdade, os direitos e a cidadania de todos os brasileiros. 

domingo, 6 de novembro de 2016

E agora, que fazer?

A oligarquia, ao retirar a Presidenta Dilma, retirou também da cena política as travas da barbárie. Na história recente do Brasil, vencida a Ditadura de 1964, tivemos uma predominância de governos que aplicavam a cartilha neoliberal. Com resistências políticas populares, sindicais e partidárias (PT entre estas), o debate existia, mas as políticas neoliberais avançavam. Com a chegada de Lula ao poder, após a Carta aos Brasileiros que afirmou sua aproximação centro esquerda, vivemos politicas anti-cíclicas - o protagonismo do estado no desenvolvimento de políticas de renda mínima (bolsas); ampliação do atendimento em previdência; política do conteúdo nacional na indústria; ampliação da participação do trabalho no PIB nacional; inclusão no ensino superior, demonstrando que negros e brancos, pobres e ricos, com a acesso ao ensino superior, tem desenvolvimento semelhante; e tantas outras que não podem ser categorizadas como "neoliberais", ao menos por quem se propõe ao debate não sectário ou autoritário.
Dilma Presidenta tentou mostrar que o estado poderia ser mais técnico e mais duro com o Congresso vergonhoso que tínhamos, foi atropelada por uma crise internacional do Petróleo, pela esperteza da mídia nativa, pela raivosidade da oligarquia e pela dificuldade do Congresso em enxergar sua obrigação política e cívica. Ali se formava o quadro, apoiado pelos batedores de panela, para destituição da Presidenta sem crime de responsabilidade. Agora, Ditadura presente,vivemos a destituição de diretorias em órgãos públicos que se apresentam como críticas às atrocidades políticas propostas (TV Brasil, IPEA, Conselheiros do CNE, ...), Presidência da República ocupada por uma pessoa que não foi eleita para implementar o projeto de governo ao qual serve (descaradamente o vice da Presidenta Dilma implementa a política do PSDB). E o PSDB, quem diria, apaga de seu currículo qualquer compromisso com a democracia, o que lhe interessa é o poder e a conclusão da agenda de entrega de recursos nacionais (interrompida com a chegada de Lula ao poder). Não estamos falando mais de um golpe, estamos falando de uma Ditadura: censura das críticas, um congresso publicamente conhecido como venal, enterrado até o pescoço em denúncias de corrupção, a votar Propostas de Ementa Constitucional contra a vontade da população. Por que não um plebiscito? Por que não uma reforma tributária que de fato corrigisse a centralidade dos impostos sobre o consumo, desonerando os mais pobres e promovendo equidade social com a taxação daqueles que continuam a enriquecer? Por que não promover um debate nacional sobre a Previdência, com direito ao contraditório? Porque o projeto de país, em implementação, não foi votado, não foi eleito, ele representa os interesses daqueles que deram o Golpe.
E os desmandos em Curitiba? Prender uma pessoa para que ela deponha a respeito de um crime sob o qual há suspeição, sem que ela tenha se negado a depor? As prisões realizadas em Curitiba são suspeitas. O juiz faz assim: prende e deixa lá até que o preso resolva "colaborar" com o foco que a operação tem para quem a dirige, no meu entendimento estas prisões preventivas que são realizadas fora da previsão constitucional são utilizadas como tortura.
Conversas telefônicas gravadas com autorização da justiça, com conteúdo não relacionado ao crime em investigação, e que deveriam, portanto, ter sido destruídas, são usadas midiaticamente para expor a pessoa em seus contatos particulares. A articulação investigação/juiz/mídia é vergonhosa.
A Constituição foi rasgada e vivemos um estado de exceção. As políticas em regime de votação e aprovação no Congresso nos levam à barbárie. E, mesmo assim, utiliza-se Medida Provisória para legislar sobre o ensino... Tudo vergonhoso e venal.
O que fazer, agora que constatamos diariamente o caos gerado pelo golpe?
1. Revogar o impedimento, trazer o país a normalidade, à constitucionalidade, barrar a barbárie. Mas para isso a esquerda precisa se unir, complementar, e, principalmente, parar de disputar o espaço que o PT conquistou, reconhecer que o governo Lula e Dilma construíram imensos avanços na transformação da estrutura social. Aprender, melhorar, colaborar. Não dá para engolir a esquerda com o mesmo discurso e comportamento da direita. O que precisamos construir é daqui para a frente. Não é possível, nem desejado, apagar o passado, ele é parte importante da luta pelo futuro. Apagar as transformações sociais que o PT promoveu é negar o legado da esquerda.
2. Implementar a participação direta na aprovação de políticas essenciais à construção de uma país menos desigual, mais plural, democrático e que potencialize nossa imensa capacidade criativa, produtiva.
3. Investir em meios de comunicação mais formativos, que assegurem o contraditório em todos os programas jornalísticos, que, de fato, a cada notícia, possamos ter acesso ao contraditório, ao que pensam governo, pesquisadores e população organizada (movimentos sociais, sindicais, populares) sobre o tema em discussão. Menos doutrinação midiática, mais contraditório, população melhor informada. Que os espaços de uso público com televisão transmitam canais públicos.
Artigos que complementam o caminho:
Emir Sader - sobre a auto-crítica da esquerda
A campanha da direita por dentro do PT


Prof. Dr. Emir Sader na Unirio em 10 de novembro de 2016

Em 10 de novembro, às 9h da manhã, no Auditório Vera Janacopulos (Av. Pasteur, 296), O Prof. Dr. Emir Sader (PPFH/UERJ e UNESCO) abordará o tema Desafios Democráticos das Universidades na América Latina, na abertura do II Fórum dos Cursos de Graduação da Unirio. Logo após a palestra, teremos o lançamento do Livro: O Brasil que Queremos, organizado pelo palestrante.
Evento aberto a toda comunidade.
A atividade faz parte do II Fórum dos Cursos de Graduação da Unirio.


O Brasil que queremosa

Prof. Dr. Emir Sader na Unirio em 10 de novembro de 2016

Em 10 de novembro, às 9h da manhã, no Auditório Vera Janacopulos (Av. Pasteur, 296), O Prof. Dr. Emir Sader (PPFH/UERJ e UNESCO) abordará o tema Desafios Democráticos das Universidades na América Latina, na abertura do II Fórum dos Cursos de Graduação da Unirio. Logo após a palestra, teremos o lançamento do Livro: O Brasil que Queremos, organizado pelo palestrante.
Evento aberto a toda comunidade.
A atividade faz parte do II Fórum dos Cursos de Graduação da Unirio.


O Brasil que queremosa

VI Semana de Educação na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO

A Semana de Educação da Unirio este ano homenageia a professora do Departamento de Fundamentos da Educação Tânia Mara Tavares da Silva, que faleceu no primeiro semestre deste ano, em decorrência de problemas respiratórios e cardíacos.
A programação é aberta a todas/os/es estudantes da Unirio, de qualquer curso, e comunidade acadêmica. As atividades acontecem no momento em que atravessamos uma absurda crise política no país, onde uma Presidenta honesta, sobre a qual não havia nenhuma acusação de corrupção, foi afastada para que todo o tipo de arbitrariedade seja executada, sem submissão ao voto popular. Entre as arbitrariedades, o avanço da proposta da "Escola Sem Partido" (Lei da Mordaça); a reforma do ensino médio por meio de medida provisória; o congelamento dos investimentos em educação e saúde; o constrangimento de professores e universidades que se colocam contra o Golpe; a entrega do Pré Sal e, ente tantas irregularidades, a implementação do plano de governo do PSDB, que perdeu as últimas eleições.
VI Semana de Educação da UNIRIO Tânia Mara Tavares da Silva será realizada na próxima semana, de 7 a 11/11. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

28 de Outubro - Dia do funcionário público, feriado com cinema na UNIRIO!

Divulgamos o Fórum Psicanálise e Cinema, que acontecerá no dia 28 de outubro de 2016, 18h, no Auditório Vera Janacopulos.
O Fórum é muito interessante: além do filme, sempre muito bem escolhido, há uma discussão do mesmo com base na psicanálise, que é um dos referenciais que interferem crucialmente na forma de percebemos a nós mesmos e aos outros, mudando os paradigmas com os quais vemos a nós mesmos e ao mundo.

Convidamos a todos para que participem da sessão. O ingresso é gratuito.
(UNIRIO/PROEXC – ESCOLA DE TEATRO) &
SOCIEDADE PSICANALÍTICA DO RIO DE JANEIRO (SPRJ)
Caríssimos,
O FÓRUM DE PSICANÁLISE E CINEMA apresenta, no dia 28 de outubro, às 18h, na Sala Vera Janacópulos da UNIRIO, um dos filmes mais impactantes da década: INCÊNDIOS (Incendies, 2010, 123 min.), dirigido e roteirizado pelo canadense Dennis Villeneuve, baseado na terceira parte da tretalogia do escritor, teatrólogo e ator Wajdi Mouawad, uma obra que deixa o público sem palavras para descrever a experiência de assisti-lo. O texto investiga o trauma e o tormento da guerra moderna  no Oriente Médio, resgata e recupera tragédias e odisseias, incestos e revoltas em suas circunscrições trágicas inconfundíveis, cuja narrativa não tem espaço e nem tempo pré-fixados, indo tanto de um lugar a outro como de uma cultura a outra, em cenas que vão e voltam ao longo de 50 anos. Com um elenco de peso, no qual se destaca a atriz belga, Lubna Azabal, interpretando a mãe, Nawal Marwan, em torno da qual a tragédia edípica envolve todos os personagens.
O filme obteve reconhecimento internacional como, entre outros,  a indicação oficial do Canadá para o Oscar 2011. Enfim, uma oportunidade imperdível de se assistir e comentar uma obra-prima. Contando, como sempre, com a divulgação aos amigos e interessados no viés cultural e psicanalítico, aguardamos todos vocês para mais um instigante debate.
Ana Lúcia de Castro e Neilton Silva.
SERVIÇO:
DATA: 28 DE OUTUBRO DE 2016.
HORÁRIO: FILME: 18h; ANÁLISE E DEBATE: 20 h às 22 h.
LOCAL: SALA VERA JANACÓPULOS – UNIRIO
ENDEREÇO: AV. PASTEUR, 296.
ANÁLISE CULTURAL: PROF. DRA. ANA LÚCIA DE CASTRO
ANÁLISE PSICANALÍTCA: DR. NEILTON SILVA
ENTRADA FRANCA - INFORMAÇÕESforumpsicinema@gmail.com
NOTA: Quem se interessar em adquirir o livro: Fórum de Psicanálise e Cinema: 20 filmes analisados, de autoria de Ana Lúcia de Castro e Neilton Silva, ele se encontra à venda nos dias do FÓRUM. 

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

GEPAC e as políticas que não vamos temer - Novo local para as "Conversas Críticas"

O Grupo de Estudos e Pesquisas em Avaliação em Currículo - GEPAC, está promovendo, em 3 e 4 de novembro de 2016, o evento Conversas Críticas.
Estas conversas buscam oportunizar a reflexão crítica sobre políticas que têm desabado, num efeito cascata, em nossas vidas. O movimento articulado entre os batedores de panelas, o PSDB e o PMDB, entre outras mesquinharias agregadas (em nome da família triangular, dos filhos, dos netos, da cidade de Cacimbinhas, da BR 386 etc) e a poderosa e oligopólica mídia nativa,  resultou no Golpe político-parlamentar e esgarçou as relações sociais. Estamos vivendo o tempo do grito, da petição/judicialização e da total instabilidade. Sentimos um bombardeio de MPs, PECs e perseguições políticas a escolas, sindicatos, pessoas. Tudo se configura como o prefácio de tempos muito obscuros.   
Todavia, não será o avanço das políticas neoliberais no mundo, e em especial fascistas no Brasil, que nos impedirão de manter o foco do debate na direção da construção de uma escola democrática.
O LOCAL MUDOU: será no auditório Paulo Freire, CCH/Unirio, na Av. Pasteur, 456, Rio de Janeiro/RJ. Assim poderemos atender a todas as inscrições.
As inscrições, gratuitas, são feitas pelo link:
Inscrições Conversas Críticas
Vagas limitadas. Confirmaremos a inscrição obedecendo a ordem de chegada.



Comunicamos que o encontro de 28 de outubro de 2016 (sexta a tarde) está suspenso, substituído pelo evento "Conversas Críticas", em função do dia do funcionário público (feriado).