quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A discussão de um currículo único nacional

Segue texto da Presidente da ANPED (Associação Nacional de Pesquisa em Educação) crítico à proposta de um currículo único nacional:

Tendências/Debates: Reduzir a liberdade é proposta elitista

DALILA ANDRADE OLIVEIRA

O Brasil deve adotar um currículo nacional único para a educação básica?
NÃO
A liberdade de organização conferida aos sistemas de ensino por meio da legislação brasileira é conquista do final do século 20.
O artigo 210 da Constituição de 1988 determina como dever do Estado fixar "conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar a formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais".
Essa liberdade, em país tão diverso como o Brasil, está vinculada à existência de diretrizes que orientem a definição de conteúdos em conformidade à base nacional comum e diversificada do currículo, garantindo a necessária integração nacional.
Como estabelece o artigo 26 da Lei das Diretrizes e Bases de 1996: "Os currículos do ensino fundamental e médio devem ter uma base nacional comum, a ser complementada, em cada sistema de ensino e estabelecimento escolar, por uma parte diversificada, exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da cultura, da economia e da clientela".
As mudanças na legislação garantindo flexibilidade curricular permitem a adequação do projeto pedagógico de cada escola ao seu meio, objetivando a unidade na diversidade.
Essa foi uma conquista de setores sociais que historicamente estiveram alijados do direito à educação pública neste país.
Nas últimas décadas emergiram políticas voltadas à promoção da educação para os afrodescendentes, indígenas, pessoas com deficiência, população do campo e em condições de pobreza. Compreendeu-se que não bastava garantir acesso à escola se a educação não correspondia a seu universo sociocultural.
É com a liberdade de cada escola elaborar seu projeto pedagógico, acolhendo os sujeitos que dela participam, que a educação vai se tornando ato de liberdade e instrumento da democracia. Essa é uma orientação que tem possibilitado ao sistema educacional brasileiro ser mais inclusivo e justo com os que mais necessitam da escola pública.
Contudo, há vozes discordantes na sociedade que defendem o velho elitismo republicano da escola pública do início do século 20. Essas vozes têm defendido o currículo nacional único sob o pretexto de que todas as crianças devem ser alfabetizadas na idade certa e que para tanto é necessário definir conteúdos padronizados para ser ensinados de norte a sul do país e que devem ser exaustivamente avaliados.
Trata-se de um argumento que ignora a complexidade do processo educacional. A transmissão de conteúdos, muitas vezes estranhos ao contexto dos alunos, não é suficiente para garantir o bom desempenho educacional. Outros fatores sociais interferem na aprendizagem e a escola não é, nem pode ser, impermeável a eles.
A padronização curricular foi, durante séculos, responsável pela expulsão de importantes segmentos sociais da escola. O critério de justiça que orienta os sistemas escolares, apesar de repousar no ideal de igualdade de oportunidades, promove injustiça ao tratar o diferente como igual, pode torná-lo também desigual. Não se pode negar as diferenças sociais, econômicas e culturais entre os indivíduos.
A retomada da defesa do currículo único na atualidade no Brasil se deve a setores que concebem a educação somente como fator de produção, a serviço de um modelo de desenvolvimento que ignora dimensões indispensáveis à felicidade humana.
Quantos são os distúrbios em sociedades que levaram a risca tal concepção? A experiência parece não bastar e a pesquisa acadêmica pouco é solicitada a contribuir nas políticas públicas a serviço do bem comum. É necessário debater a concepção de educação que interesse à sociedade brasileira no seu conjunto, capaz de mobilizar forças sociais e as potencialidades deste país.
DALILA ANDRADE OLIVEIRA, 47, é presidente da Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação (ANPEd) e professora da UFMG

Fonte:
http://www.anped.org.br/noticias/ler/curriculo-nacional-unico-para-a-educacao-basica-artigo-da-anped-na-folha-de-sao-paulo

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Retomando as atividades docentes na UNIRIO

Esta semana teremos as aulas na graduação normalmente, disciplina de currículo na terça, 18h e quinta, 13h30min.
Convido a todos/as estudantes presenciais a participarem no sábado, dia 27-10-2012 do Seminário de Práticas Educativas 4, 9h, que discutirá a organização escolar em ciclos. Local: Auditório Vera Janacopulos, Av. Pasteur, 296, Urca, Rio de Janeiro.
 

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Sobre liberdade e o 11 de setembro

http://youtu.be/7vrSq4cievs



O link refere-se ao 11 de setembro esquecido (1973, Chile, assinatato das expectativas populares), mas revelador da colonialidade na imprensa.
 

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Encerramento do movimento de paralisação dos professores na EAD UNIRIO

Prezados estudantes e colegas professoras/es,
A paralisação parcial das atividades na Educação a Distância foi muito importante para o grupo de professores envolvidos no movimento: nos permitiu aprofundar nosso entendimento sobre as dificuldades do Curso e acumular experiências e propostas considerando a possibilidade de superação destas dificuldades. Queremos um Curso de Licenciatura em Pedagogia que efetivamente nos coloque em interação com os estudantes, nos dê condições de mediar os processos, onde as práticas afastem-se da educação bancária e as tecnologias possibilitem uma aproximação efetiva.
Fizemos uma detalhada análise de diversas questões ligadas ao nosso trabalho e concluímos com um quadro de demandas a serem tratadas a curto, médio e longo prazo. Hoje sabemos coletivamente nossos principais desafios e acreditamos que este saber coletivo nos fortalecerá no combate que temos pela frente.
Diante do compromisso da Reitoria da UNIRIO no encaminhamento de nossas demandas internas; da incorporação, pelo Comando Local e Nacional das reivindicações específicas da modalidade; e, evidentemente pressionados pela necessidade de garantir aos estudantes da modalidade a distância a conclusão do ano letivo (diferente da Educação Presencial, o calendário da Educação a Distância é mais extenso), o grupo de professores que aderiu o movimento decidiu, na última sexta-feira, 31 de Agosto, retomar os trabalhos hoje, 03-09-2012. Em prosseguimento, disponibilizaremos, ainda esta semana, as notas do primeiro semestre e abriremos a possibilidade de realização de AP3 (agora chamada AP Especial), para os que precisarem refazer a atividade. Na próxima semana teremos como informar sobre o calendário.
 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Atividades do GEPAC no X Colóquio sobre Questões Curriculares - VI Luso Brasileiro de Currículo

Nosso grupo de Pesquisa estará participando, entre 3 e 6 de setembro de 2012, de um dos mais importantes eventos no campo do currículo do eixo Brasil-Portugal. Na décima edição, os principais debates contemporâneos provocados no campo do currículo: embates e debates referentes ao currículo em diferentes níveis de ensino, na produção das subjetividades, nas teorizações do campo, prometem contribuir com a atualização da discussão entre ciência e cultura.

Atividades do GEPAC:

04/09/2012 – 16h30min às 18h30min, Sala 1
ORGANIZAÇÃO CURRICULAR DO CURSO TÉCNICO DE NÍVEL MÉDIO-INTEGRADO
SONIA MARIA CHAVES HARACEMIV e DRAUDI HOFFMAN
Eixo 2 - Currículo e Ensino Médio
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05/09/2012 – 14h às 16h, Sala: 3104, Faculdade de Educação
CURRÍCULO E AVALIAÇÃO: UM ESTUDO SOBRE AS ORGANIZAÇÕES ESCOLARES EM CICLOS
ANDREA ROSANA FETZNER e CLAUDIA DE OLIVEIRA FERNANDES
EIXO 11 – Currículo e Avaliação
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05/09/2012 11h30min às 12h30min Sala: 3108, Faculdade de Educação
CURRÍCULO E AVALIAÇÃO: INTERRELAÇÃO OU SUBORDINAÇÃO?
ESTER DE AZEVEDO CORRÊA ASSUMPCAO
EIXO 11 – Currículo e Avaliação

Seleção de bolsistas de iniciação à docência - somente para estudantes da UNIRIO


Aos estudantes de Licenciatura em PEDAGOGIA (possibilidade de concorrer em até seis vagas), matriculados na UNIRIO,

Os professores Daniel e Manoel Ricardo, do Curso de Letras, estão selecionando estudantes de Licenciatura em PEDAGOGIA para participar do projeto PIBID, junto com estudantes de Teatro e Letras, a ser desenvolvido nas escolas Santo Tomas de Aquino (Leme) e Estácio de Sá (Urca). A bolsa para o aluno de graduação é de R$400,00 mensais (30h/mês). As inscrições serão na sala do Mestrado em Educação, Térreo do CLA, UNIRIO, com Vivian ou Chaiene, nos úteis entre 3 e 10 de setembro (das 15 às 17 horas). O edital encontra-se no mural da Secretaria da Escola de Educação. O início dos trabalhos no Projeto é imediato. A bolsa é incompatível com outras bolsas.
Em caso de dúvidas, os telefones dos professores são:
Daniel - (21)8158-2668
Manoel - (21)8003-5732

Boa sorte!

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Os ciclos representam mais que a não reprovação escolar II

Continuando a discussão iniciada em junho neste Blog, os ciclos representam uma forma diferente de organizar a enturmação das crianças e jovens na escola porque, compreendendo que o conhecimento não precisa ser assimilado de forma fatiada, propõe que consideremos as possibilidades de desenvolvimento a cada faixa etária na proposição das atividades escolares. Atividades, neste caso, referem-se a um conceito trabalhado por Leontiev, Davidov, Vygotski.
Uma das especificidades do conceito de atividade é a incorporação do sentido para aquele que aprende ao pensarmos sobre o que vamos estudar.
Esquematicamente, poderíamos dizer que o trio russo parte destes entendimentos:
1. O ser humano é um ser social, assim "o que é o seu meio para o organismo e como este meio se manifesta para ele" (LEONTIEV, 2004, p. 171) forma-o enquanto humano. O seu meio, enquanto espécie e enquanto cultura - filogênese e ontogênese - não é somente físico e biológico, é, também e essencialmente, social.
2. Não abstraímos o sentido das coisas sem o fenômeno da comunicação.
As funções psíquicas do ser humano são mediatizadas pelo outro, por meio da comunicação. Os processos intelectuais são, primeiramente, "interpsicológicos" (o outro no processo de mediação ajuda a formar o meu pensamento sobre as coisas). Primeiro interpsicológico, depois intrapsicológico. O desenvolvimento e a aprendiagem dão-se por meio da linguagem. A palavra é entendida como símbolo abstrato que media nossa relação com a sociedade. A palavra expressa a relação ato-pensamento (primeiro ato, depois pensamento), constrói ideias, formas de representação abstrata e possibilita interação e integração. A linguagem é impossível de se compreender separada da cultura e a inteligência expressa na capacidade de transformar circunstâncias em função das nossas próprias circunstâncias. (MERANI, 1972)
3. O ser humano não apenas se faz no seu meio, mas o transforma e, ao transformá-lo, transforma a si mesmo. A experiência sócio-histórica de que o ser humano se apropria "acarreta uma modificação da estrutura geral dos processos do comportamento e do reflexo, forma novos modos de comportamento e engedra formas e tipos de comportamento verdadeiramente novos. Razão porque os mecanismos do processo de apropriação têm a particularidade de ser mecanismos de formação dos mecanismos" (LEONTIEV, 2004, p. 191).
A educação é o processo por meio do qual o ser humano apropria-se da cultura e, ao apropriar-se cria necessidades outras, a transforma e, ao transformá-la, transforma-se.
A atividade, compreendida com este referencial teórico, está inserida no universo cultural do estudante, permite-lhe o diálogo com sua linguagem (não poderia ser diferente disto, se é proposto um diálogo), reconhece seus símbolos, suas interpretações e permite-lhe ser mais, por meio da interação que lhe possibilita com culturas outras.
Bibliografia citada:
LEONTIEV, Alexis. O desenvolvimento do psiquismo. São Paulo: Centauro, 2004.
MERANI, Alberto L. A conquista da razão. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1972.