domingo, 22 de janeiro de 2017

Cinema pelo computador - My French Film Festival


É de graça, você se cadastra no site, pode ver e, se quiser, julgar os filmes assistidos:
Toda o ano acontece, este ano vai até o dia 13 de fevereiro. São vários filmes franceses (e co-produções), com a opção de legendas em português, que você pode assistir gratuitamente.
Inscreva-se e veja a apresentação do festival aqui:
My French Film Festival

Eu já assisti, e gostei, de "Ogros", de Léa Fehner - um grupo de Teatro Itinerante, suas relações, sua liberdade, seus dramas e comédias. Linda música, lindo espetáculo, interpretação impecável.

"Eu cobri meus lábios com obscenas oferendas
Sentada no crepúsculo, virada para o outro lado
Eu sou feita para nada, realmente
E o mundo está dentro de mim
Eu não irradio nada, realmente
E o mundo me entende
Uma mulher, uma mulher em sua janela clama
Rebelde em seu ser, em sua alma
Deixe a tempestade soprar de sua alma,
Deixe a tempestade soprar
Eu abandono meus sonhos
Eu insisto em uma pergunta
Botão-de-ouro fiel
Eu me afogo em significado
Eu realmente não quero nada
E isso é uma necessidade
Não sendo nada realmente,
Talvez seja Boa Sorte."

http://www.myfrenchfilmfestival.com/pt/movie?movie=39327

Agora estou com pressa, vou fazer pipoca, pegar uma gelada e partir para o próximo.
#MaratonaMyFrenchFilmFestival

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Omelete de forno

A situação política tá tão ruim que optamos por contribuir no debate nacional com uma postagem culinária!
Para quem gosta de omelete e detesta ensebar a cozinha toda com gordura de fritura, segue uma receita inventada neste final de semana:
Você vai precisar:
4 ovos
5 colheres de óleo
1 cebola média
1 colher pequena de alho picado ou um dente de alho picado (eu não pico alho..., acho mais prático os potinhos comprados com alho picado)
4 fatias de queijo mozarela
1 colher de azeite
sal a gosto (eu não uso sal)

Mais fácil impossível:
Picar a cebola em quadradinhos pequenos e colocar numa tigela
Ascenda o forno do fogão para esquentar entre 3 e 5 minutos
Na mesma tigela em que está a cebola, misturar os ovos (com clara e gema, eu retiro só a casca)
O alho (cru)
Rasgue as fatias de queijo com a mão (mais ou menos resultando em quatro pedaços cada fatia) e misture com o ovo, a cebola e o alho (tudo na tigela em que colocou a cebola)
Coloque uma colher rasa de azeite também na misturança - utilize um garfo para misturar tudo
Se for colocar sal, este é o momento. Não exagere no sal.
Pegue uma assadeira (tanto faz o tamanho)
Coloque uma colher de óleo, unte (por dentro apenas)
Coloque as outras quatro colheres de óleo no centro da assadeira
Despeje a mistura na assadeira (essa mistura é o seu omelete)
Coloque no forno. Aqui levou uns 7 minutos.
Você saberá que está pronto - pelo cheiro (se tiver bom olfato) e pela cor: a parte de baixo do omelete fica dourada e, olhando para o forno com a luz ligada, é possível ver que está dourando as beiradas.
Eu comi com acompanhamento de mostarda, ketchup, salada de tomate e duas fatias de pão integral cheio de alpiste (sementes).
Mas talvez o ideal fosse fazer um arroz, para quem não tem tanta preguiça.
As boas notícias: o omelete ficou uma delícia, a cozinha ficou limpinha, a forma (T-fal) não deu trabalho nenhum para limpar porque o omelete ficou soltinho da forma. Suspeito que foi pelas 4 colheres de óleo...
Bom apetite.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Trocando o ponto da vista...

Penso que até no mundo mineral já é sabido que, dependendo do ponto de vista, vemos alguns pontos da paisagem.
Tenho muitas amigas e muitos amigos que sofrem neste instante, e sofrem muito, porque estamos, juntas/os, vivendo uma situação política que não queríamos e sequer pensávamos possível viver novamente. Chico Buarque bem expressou no Largo da Carioca: "não, de novo não, golpe não!", imenso desejo coletivo.
Para entender um pouco dessa situação você precisaria, além de viver num país imenso e que já foi o terceiro pior em desigualdade social do planeta (só perdendo, naquela ocasião, para Honduras e Serra Leoa), ter visto este país sair da condição de indigente para ocupar um lugar de "futuro" no presente - uma alternativa à degradação geral que o capitalismo rentista, excludente e opressor tem se apresentado ao mundo.
Por mais críticas, e legítimas, que tenhamos aos governos de Lula e Dilma, não é possível negar que aumentamos a participação do trabalho no PIB (com o aumento real do salário mínimo, todas as categorias de trabalhadoras/es organizadas tiveram aumento acima da inflação); desenvolvemos o mercado interno e promovemos a diversificação e a política do "conteúdo nacional" na economia; tudo isso com democracia e investimento no combate à corrupção (liberdade, autonomia e concursos públicos, assim como estrutura técnica, para Polícia Federal e MP, além de todas as medidas de transparência nos órgãos públicos - portal transparência entre eles).
Vivemos um momento em que o Brasil e seu povo degustaram, no melhor a la carte, "estar no centro": no eixo da transformação - democrática - de outras culturas, outras propostas, outras relações nacionais e internacionais. Não foi a toa que surfamos com o "outro mundo é possível" do Fórum Social Mundial e o nosso presidente Lula foi reconhecido pelo presidente estaduniense como "o cara".
O que estamos vivendo, ou melhor, passando (porque vai passar): um país sem governo, acovardado frente ao golpe de estado, entregue a um Congresso e um Judiciário contra o povo, contra o resultado das últimas eleições diretas, acobertado por uma mídia safada, nos deixando perplexos, atordoados, desesperados ao ver, por exemplo, um pulha que, em dois dias, DOIS DIAS, faz um parecer sobre a "deforma" da previdência aprovando o "regresso" proposto pelo Golpe e o apresenta no Congresso dizendo "aviso aos navegantes, acabou a vagabundagem remunerada".
Golpe, Reforma do Ensino Médio, PEC 55, "Deforma" da Previdência - tudo contra o povo, contra o voto e contra o bom senso.
Existe, de fato, a crise internacional (permanente do capitalismo, mas que "da hora" é a do petróleo) provocada pela queda do preço internacional do petróleo que, articulada pela Arábia Saudita e EUA, tem uma lista enorme de objetivos, capitaneada pela necessidade de jogar água fria nos BRICS e vingar-se da reação Russa na Ucrânia (2014 - reeleição de Dilma).
É possível ver estes tempos terríveis, que nos mergulham já o pescoço no estrume, de outro modo: a Dilma se deu bem, porque com este Congresso nada ia rolar, afinal, a Veja cumpriu seu papel quando, às vésperas da eleição, mentiu que "Dilma e Lula sabiam de tudo" (sobre os desvios na Petrobras) e, assim, a Revista panfletária provocou um resultado eleitoral que permitiu à oposição fomentar a reação mais politicamente individualista, exacerbada na subjetividade, que estamos aprendendo a por em prática em todas as instâncias da vida social: o resultado não atendeu ao meu desejo individual, então, grito, bato panelas, faço adesivos e cartazes ofensivos, que não discutem posições e sim humilham pessoas; essa "nova forma de fazer política" teve um "encontrão" com o discurso ultra-ultra esquerda: "dane-se a democracia representativa", a chamada da hora é "o povo no poder", representação jamais, o governo Dilma aplicou a cartilha neoliberal na economia (sim, por não fechar o Congresso, único jeito de fazer a auditoria da dívida, implementar a lei de mídias - que discutiu pelos 13 anos - mas não tinha votos para fazer passar no Congresso, entre outras acusações proferidas por quem nunca esteve no executivo); o país está se desmanchando e, mesmo que, com isso, todos que necessitavam de um estado forte para assegurar investimentos, políticas de inclusão na Universidade ou mesmo na mínima dignidade que é ter o que comer, irão perder seus direitos vertiginosamente, são jovens, adultos e idosos perdendo absurdamente seus direitos; a miséria está aumentando, o gráfico inverteu-se na velocidade da luz, será necessário um novo governo de esquerda para reverter o quadro.
Mudando o ponto de vista, da depressão por conta do que estamos perdendo (que é muito), para o que estamos ganhando na defesa de um outro projeto necessário e possível para o Brasil, porque já experimentado com sucesso (e que venceu as últimas eleições), precisamos construir a visibilidade das possibilidades no caminho da democracia, da pluralidade e do desenvolvimento nacional. A crise internacional do Petróleo atingiu 7% do nosso Pibid e 15% de nossa capacidade de investimento e a Lava Jato, no lugar de gerar ganhos para o país reduzindo a corrupção e aumentando os mecanismos de prevenção, paralisou as maiores empresas privadas, as empreiteiras. Mas não somos a Venezuela (onde o Petróleo é a base da economia), somos um país com economia diversificada, referência em desenvolvimento de ciência e tecnologia. As políticas de investimento na educação levaram uma grande parte da população às excelentes Universidades Públicas. Precisamos ver este potencial, abandonar o discurso que começa com "o modelo de desenvolvimento dos governos Lula e Dilma estão esgotados" , primeiro porque desenvolvimento econômico com inclusão social, democracia e conteúdo nacional não está esgotado, está iniciando (o que não significa dizer que não terá embates com o modelo capitalista); segundo porque nenhuma esquerda vai avançar como alternativa de governo negando os ganhos do país (com os governos Lula e Dilma) em seu conjunto. É preciso reconhecer os acertos, destacá-los, construir a melhoria do modelo, não destruí-lo ou abandoná-lo.
A conjuntura política para esse novo governo está em parte construída, falta avisar os russos, neste caso, a esquerda, para que equilibrem o discurso, construam a tal da unidade programática, parem de se flagelar. Pelo que demonstrou a disputa pela Prefeitura do Rio, guardadas as diferenças entre uma eleição nacional e uma eleição local, neste "ajuste" de comportamento necessário para que a unidade programática possa ser construída está o maior desafio do momento. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

O que aprendi com o filme Snowden

1. Eu, você e cada pessoa no mundo temos o que esconder, mesmo que a gente pense que não e se exponha excessivamente em público.
2. Os EUA, por interesses políticos (=busca de poder enquanto estado e de domínio bélico e empresarial/corporativo), tem acesso a essas coisas intimas, que necessariamente não são ilegais, mas que deveriam ser do domínio privado (de um hábito privado, por exemplo - ficar observando como vai o Fluminense e o Inter no Campeonato Brasileiro).
3. As agências de espionagem americanas desenvolveram (a) uma forma de coleta ilegal de dados em todos os sistemas de comunicação, do telefone à internet (redes sociais, aplicativos, tudo que coleta informação sua); (b) uma forma de coletar a exata informação que está sendo necessária para eles, num momento dado (uma espécie de Google, só que melhor, mais específico nas respostas às buscas realizadas).
4. Eles podem, neste momento, observar você pela câmara de seu computador, mesmo ele estando desligado. Se você colocar uma fita tapando a câmara, eles não podem filmar o que você está fazendo.
5. Eles podem te acessar pelo celular, sem ligar para você, identificando onde você está. Se seu celular estiver dentro de um micro-ondas estes sinais são bloqueados (mantenha o micro-ondas desligado, apenas use para colocar o celular quando não o estiver usando em casa). Quando você estiver com o celular em lugar que não possa mantê-lo dentro do micro-ondas, lembre-se que ele também tem câmera.
 Para saber como coisas que são de domínio privado e que não são ilegais podem ser usadas para derrubar governos, ou empresas, ou pessoas com grande poder político, veja o filme, eu vou dar um exemplo que não é do filme.
Se eles (EUA) quisessem, o Inter, que será rebaixado neste campeonato brasileiro, poderia deixar de sê-lo (o que eu e grandes amigos gostaríamos muito), porque alguma irregularidade houve durante o campeonato, em algum momento, com algum time que venceu o Inter. Basta que eles tenham o interesse em encontrar e dar sequência a esta informação. O mesmo ocorrendo com o Grêmio, só que, no caso, para derrubá-lo. A questão é que o uso, por exemplo, de um comprimido não permitido e não listado como proibido, por um jogador, mesmo não sendo encontrado em exame de doping, pode ser descoberto por eles. Suponha um comprimido permitido legalmente, mas que, por uma característica biológica do usuário, por ele e seu time já conhecida, provoque uma reação potencializadora física neste sujeito específico. Neste caso (suposição) eles teriam acesso a uma informação que poderia melhorar a situação do Inter. Suponha que a Nike seja uma empresa que tem grande interesse em que o Inter continue no campeonato e que o Grêmio não seja o campeão, um tipo de irregularidade em relação ao Grêmio também poderia ser "descoberta". A questão aqui não é: (1) Se eu (Andréa) sou colorada e quero que isto aconteça; (2) A história ser estapafúrdia, fora da realidade. A questão que precisamos entender é que, no exemplo fictício aqui dado, a pontuação dos times no campeonato foi atribuída de acordo com as regras explícitas e, uma delas, diz respeito ao exame de doping a que apenas alguns jogadores são submetidos. As regras e a chance de ser pego na burla de uma regra são parte do jogo (Campeonato Brasileiro). Ter acesso a informações muito mais específicas e íntimas não é possível para os times do campeonato, para os juízes que julgam os interesses em jogo, tão pouco para os investidores que mantêm os times. Mas apenas eles (EUA) têm estas informações, que podem ser usadas ou não, de acordo com seu interesse político.
Estamos todos expostos, e como Ignácio Ramonet recentemente publicou, o ciberespaço é hoje tão importante quanto o território físico, a água, o ar, a energia, os grandes objetos de poder. O que precisamos responder agora (já que, de fato, toda esta invasão já está aí) é qual a possibilidade (existente ou a ser construída) de controlar este controle.
Lembrando, Hillary Clinton caiu mais de dez pontos nas pesquisas em uma semana, porque um assessor enviou fotos (nudes) para uma menor. 
Antes disso, o mundo mergulhou em mais uma crise do Petróleo porque a Arábia Saudita baixou o preço do barril de US$ 100,00 para menos de US$ 50,00, com o aval estaduniense.
O poder da espionagem é imenso, só não é maior do que a nossa perda de privacidade. 
Mais dados sobre o filme Snowden:
Snowden - dados do site Adoro Cinema
Leia mais sobre o tema:


domingo, 27 de novembro de 2016

Filme Elis: imperdível - música, ditadura e paixão

Quem já esteve em um ônibus carregando a expectativa de chegar em um lugar onde realizaria seus mais desejados sonhos, se identifica na primeira sequência do excelente filme "Elis", que acompanha a vida da cantora gaúcha desde a chegada ao Rio, em 1º de abril de 1964  (dia em que se instalou o penúltimo Golpe no país), até sua derradeira angústia, paixão e desespero. De uma forma alegre e deliciosa, o filme mostra a capacidade de uma Elis determinada e forte, em ouvir, construindo-se como cantora. O diretor Hugo Prata vai conduzindo na tela uma história densa e de sensivelmente leve: as aprendizagens e as conquistas de uma pessoa que não tinha em seu alcance o convívio com os nomes feras da música e da cena artística do eixo Rio-São Paulo, e que vai entrando nesse mundo, "vivendo o que nunca viveu", parodiando o poeta, até chegar tanto no casamento com o homem de sua paixão, quanto à consagração de seu talento, no Olympia, em Paris. O filme é todo delicioso, os personagens não são apresentados de forma maniqueísta, separados entre bons e ruins, o roteiro vai trazendo a vida como ela é, e olha que um dos personagens é o Bôscoli. O elenco é impecável e Andréia Horta perfeita em cena. No pano de fundo, a Ditadura Militar, as disputas entre o samba, a bossa nova e a MPB. Os erros e acertos avaliativos de todos, incluindo gênios brasucas do mundo da arte musical. Um filme sobre arte e com arte de qualidade: as músicas, a interpretação, o regaste histórico. Ao final da sessão, aplausos e a sensação de que a arte nos dá a dimensão de um mundo muito maior.
Além da vontade de gritar "Fora Bolsonóides", nas passagens com Henfil e os militares, merece, além dos aplausos, um "Fora Temer" ao final, aliás, a música escolhida para acompanhar os créditos faz isto e nos lava a alma.
Mais informações:
Dados técnicos do filme - Site Adoro Cinema
Trailer:
Filme Elis - trailer oficial

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

É quinta, 10-09-2016, 9h, Auditório Vera Janacopulos, UNIRIO - Emir Sader

Em 10 de novembro, às 9h da manhã, no Auditório Vera Janacopulos (Av. Pasteur, 296), O Prof. Dr. Emir Sader (PPFH/UERJ e UNESCO) abordará o tema Desafios Democráticos das Universidades na América Latina, na abertura do II Fórum dos Cursos de Graduação da Unirio. Logo após a palestra, teremos o lançamento do Livro: O Brasil que Queremos, organizado pelo palestrante.
Evento aberto a toda comunidade.
A atividade faz parte do II Fórum dos Cursos de Graduação da Unirio.
Todos os interessados na temática podem participar!

Manifesto em defesa da democracia, do estado de direito e do presidente Lula

Em defesa da democracia, do estado de direito
e do ex-presidente Lula

    
     O estado de direito democrático, consagrado na Constituição de 1988, é a mais importante conquista histórica da sociedade brasileira. Na democracia, o Brasil conheceu um período de estabilidade institucional e de avanços econômicos e sociais, tornando-se um país melhor e menos desigual, mas essa grande conquista coletiva encontra-se ameaçada por sucessivos ataques aos direitos e garantias, sob pretexto de combater a corrupção.

     A sociedade brasileira exige sim que a corrupção seja permanentemente combatida e severamente punida, respeitados o processo legal, o direito de defesa e a presunção de inocência, pois só assim o combate será eficaz e a punição, pedagógica. Por isso, na última década, o Brasil criou instrumentos de transparência pública e aprovou leis mais eficientes contra a corrupção, provendo os agentes do estado dos meios legais e materiais para cumprirem sua missão constitucional.

     Hoje, no entanto, o que vemos é a manipulação arbitrária da lei e o desrespeito às garantias por parte de quem deveria defendê-las. Tornaram-se perigosamente banais as prisões por mera suspeita; as conduções coercitivas sem base legal; os vazamentos criminosos de dados e a exposição da intimidade dos investigados; a invasão desregrada das comunicações pessoais, inclusive com os advogados; o cerceamento da defesa em procedimentos ocultos; as denúncias e sentenças calcadas em acusações negociadas com réus, e não na produção lícita de provas.

     A perversão do processo legal não permite distinguir culpados de inocentes, mas é avassaladora para destruir reputações e tem sido utilizada com indisfarçáveis objetivos político-eleitorais. A caçada judicial e midiática ao ex-presidente Lula é a face mais visível desse processo de criminalização da política, que não conhece limites éticos nem legais e opera de forma seletiva, visando essencialmente o campo político que Lula representa.
    
     Nos últimos 40 anos, Lula teve sua vida pessoal permanentemente escrutinada, sem que lhe apontassem nenhum ato ilegal. Presidiu por oito anos uma das maiores economias do mundo, que cresceu quatro vezes em seu governo, e nada acrescentou a seu patrimônio pessoal. Tornou o Brasil respeitado no mundo; conviveu com presidentes poderosos e líderes globais, conheceu reis e rainhas, e continua morando no mesmo apartamento de classe média em que morava 20 anos atrás.

      Como qualquer cidadão, Lula pode e deve ser investigado, desde que haja razões plausíveis, no devido processo legal. Mas não pode ser submetido, junto com sua família, ao vale-tudo acusatório que há dois anos é alardeado dentro e fora dos autos. Acusam-no de ocultar imóveis, que não são dele, apenas por ouvir dizer. Criminalizam sua atividade de palestrante internacional, ignorando que Lula é uma personalidade conhecida e respeitada ao redor do mundo. A leviandade dessas denúncias ofende a consciência jurídica e desrespeita a inteligência do público.

       A caçada implacável e injusta ocorre em meio a crescente processo de cerceamento da cidadania e das liberdades políticas, que abre caminho para a reversão dos direitos sociais. Líderes de movimentos sociais são perseguidos e até presos, manifestações de rua e ocupações de escolas são reprimidas com violência, jornalistas independentes são condenados por delito de opinião. Ao mesmo tempo, o sistema judiciário recua ao passado, restringindo o recurso ao habeas corpus e relativizando a presunção de inocência, garantias inalienáveis no estado de direito.


     Esse conjunto de ameaças e retrocessos exige uma resposta firme por parte de todos os democratas, acima de posições partidárias. Quando um cidadão é injustiçado – seja ele um ex-presidente ou um trabalhador braçal – cada um de nós é vítima da injustiça, pois somos todos iguais perante a lei. Hoje no Brasil, defender o direito de Lula à presunção da inocência, à ampla defesa e a um juízo imparcial é defender a democracia e o estado de direito.  É defender a liberdade, os direitos e a cidadania de todos os brasileiros.