terça-feira, 29 de novembro de 2016

O que aprendi com o filme Snowden

1. Eu, você e cada pessoa no mundo temos o que esconder, mesmo que a gente pense que não e se exponha excessivamente em público.
2. Os EUA, por interesses políticos (=busca de poder enquanto estado e de domínio bélico e empresarial/corporativo), tem acesso a essas coisas intimas, que necessariamente não são ilegais, mas que deveriam ser do domínio privado (de um hábito privado, por exemplo - ficar observando como vai o Fluminense e o Inter no Campeonato Brasileiro).
3. As agências de espionagem americanas desenvolveram (a) uma forma de coleta ilegal de dados em todos os sistemas de comunicação, do telefone à internet (redes sociais, aplicativos, tudo que coleta informação sua); (b) uma forma de coletar a exata informação que está sendo necessária para eles, num momento dado (uma espécie de Google, só que melhor, mais específico nas respostas às buscas realizadas).
4. Eles podem, neste momento, observar você pela câmara de seu computador, mesmo ele estando desligado. Se você colocar uma fita tapando a câmara, eles não podem filmar o que você está fazendo.
5. Eles podem te acessar pelo celular, sem ligar para você, identificando onde você está. Se seu celular estiver dentro de um micro-ondas estes sinais são bloqueados (mantenha o micro-ondas desligado, apenas use para colocar o celular quando não o estiver usando em casa). Quando você estiver com o celular em lugar que não possa mantê-lo dentro do micro-ondas, lembre-se que ele também tem câmera.
 Para saber como coisas que são de domínio privado e que não são ilegais podem ser usadas para derrubar governos, ou empresas, ou pessoas com grande poder político, veja o filme, eu vou dar um exemplo que não é do filme.
Se eles (EUA) quisessem, o Inter, que será rebaixado neste campeonato brasileiro, poderia deixar de sê-lo (o que eu e grandes amigos gostaríamos muito), porque alguma irregularidade houve durante o campeonato, em algum momento, com algum time que venceu o Inter. Basta que eles tenham o interesse em encontrar e dar sequência a esta informação. O mesmo ocorrendo com o Grêmio, só que, no caso, para derrubá-lo. A questão é que o uso, por exemplo, de um comprimido não permitido e não listado como proibido, por um jogador, mesmo não sendo encontrado em exame de doping, pode ser descoberto por eles. Suponha um comprimido permitido legalmente, mas que, por uma característica biológica do usuário, por ele e seu time já conhecida, provoque uma reação potencializadora física neste sujeito específico. Neste caso (suposição) eles teriam acesso a uma informação que poderia melhorar a situação do Inter. Suponha que a Nike seja uma empresa que tem grande interesse em que o Inter continue no campeonato e que o Grêmio não seja o campeão, um tipo de irregularidade em relação ao Grêmio também poderia ser "descoberta". A questão aqui não é: (1) Se eu (Andréa) sou colorada e quero que isto aconteça; (2) A história ser estapafúrdia, fora da realidade. A questão que precisamos entender é que, no exemplo fictício aqui dado, a pontuação dos times no campeonato foi atribuída de acordo com as regras explícitas e, uma delas, diz respeito ao exame de doping a que apenas alguns jogadores são submetidos. As regras e a chance de ser pego na burla de uma regra são parte do jogo (Campeonato Brasileiro). Ter acesso a informações muito mais específicas e íntimas não é possível para os times do campeonato, para os juízes que julgam os interesses em jogo, tão pouco para os investidores que mantêm os times. Mas apenas eles (EUA) têm estas informações, que podem ser usadas ou não, de acordo com seu interesse político.
Estamos todos expostos, e como Ignácio Ramonet recentemente publicou, o ciberespaço é hoje tão importante quanto o território físico, a água, o ar, a energia, os grandes objetos de poder. O que precisamos responder agora (já que, de fato, toda esta invasão já está aí) é qual a possibilidade (existente ou a ser construída) de controlar este controle.
Lembrando, Hillary Clinton caiu mais de dez pontos nas pesquisas em uma semana, porque um assessor enviou fotos (nudes) para uma menor. 
Antes disso, o mundo mergulhou em mais uma crise do Petróleo porque a Arábia Saudita baixou o preço do barril de US$ 100,00 para menos de US$ 50,00, com o aval estaduniense.
O poder da espionagem é imenso, só não é maior do que a nossa perda de privacidade. 
Mais dados sobre o filme Snowden:
Snowden - dados do site Adoro Cinema
Leia mais sobre o tema:


domingo, 27 de novembro de 2016

Filme Elis: imperdível - música, ditadura e paixão

Quem já esteve em um ônibus carregando a expectativa de chegar em um lugar onde realizaria seus mais desejados sonhos, se identifica na primeira sequência do excelente filme "Elis", que acompanha a vida da cantora gaúcha desde a chegada ao Rio, em 1º de abril de 1964  (dia em que se instalou o penúltimo Golpe no país), até sua derradeira angústia, paixão e desespero. De uma forma alegre e deliciosa, o filme mostra a capacidade de uma Elis determinada e forte, em ouvir, construindo-se como cantora. O diretor Hugo Prata vai conduzindo na tela uma história densa e de sensivelmente leve: as aprendizagens e as conquistas de uma pessoa que não tinha em seu alcance o convívio com os nomes feras da música e da cena artística do eixo Rio-São Paulo, e que vai entrando nesse mundo, "vivendo o que nunca viveu", parodiando o poeta, até chegar tanto no casamento com o homem de sua paixão, quanto à consagração de seu talento, no Olympia, em Paris. O filme é todo delicioso, os personagens não são apresentados de forma maniqueísta, separados entre bons e ruins, o roteiro vai trazendo a vida como ela é, e olha que um dos personagens é o Bôscoli. O elenco é impecável e Andréia Horta perfeita em cena. No pano de fundo, a Ditadura Militar, as disputas entre o samba, a bossa nova e a MPB. Os erros e acertos avaliativos de todos, incluindo gênios brasucas do mundo da arte musical. Um filme sobre arte e com arte de qualidade: as músicas, a interpretação, o regaste histórico. Ao final da sessão, aplausos e a sensação de que a arte nos dá a dimensão de um mundo muito maior.
Além da vontade de gritar "Fora Bolsonóides", nas passagens com Henfil e os militares, merece, além dos aplausos, um "Fora Temer" ao final, aliás, a música escolhida para acompanhar os créditos faz isto e nos lava a alma.
Mais informações:
Dados técnicos do filme - Site Adoro Cinema
Trailer:
Filme Elis - trailer oficial

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

É quinta, 10-09-2016, 9h, Auditório Vera Janacopulos, UNIRIO - Emir Sader

Em 10 de novembro, às 9h da manhã, no Auditório Vera Janacopulos (Av. Pasteur, 296), O Prof. Dr. Emir Sader (PPFH/UERJ e UNESCO) abordará o tema Desafios Democráticos das Universidades na América Latina, na abertura do II Fórum dos Cursos de Graduação da Unirio. Logo após a palestra, teremos o lançamento do Livro: O Brasil que Queremos, organizado pelo palestrante.
Evento aberto a toda comunidade.
A atividade faz parte do II Fórum dos Cursos de Graduação da Unirio.
Todos os interessados na temática podem participar!

Manifesto em defesa da democracia, do estado de direito e do presidente Lula

Em defesa da democracia, do estado de direito
e do ex-presidente Lula

    
     O estado de direito democrático, consagrado na Constituição de 1988, é a mais importante conquista histórica da sociedade brasileira. Na democracia, o Brasil conheceu um período de estabilidade institucional e de avanços econômicos e sociais, tornando-se um país melhor e menos desigual, mas essa grande conquista coletiva encontra-se ameaçada por sucessivos ataques aos direitos e garantias, sob pretexto de combater a corrupção.

     A sociedade brasileira exige sim que a corrupção seja permanentemente combatida e severamente punida, respeitados o processo legal, o direito de defesa e a presunção de inocência, pois só assim o combate será eficaz e a punição, pedagógica. Por isso, na última década, o Brasil criou instrumentos de transparência pública e aprovou leis mais eficientes contra a corrupção, provendo os agentes do estado dos meios legais e materiais para cumprirem sua missão constitucional.

     Hoje, no entanto, o que vemos é a manipulação arbitrária da lei e o desrespeito às garantias por parte de quem deveria defendê-las. Tornaram-se perigosamente banais as prisões por mera suspeita; as conduções coercitivas sem base legal; os vazamentos criminosos de dados e a exposição da intimidade dos investigados; a invasão desregrada das comunicações pessoais, inclusive com os advogados; o cerceamento da defesa em procedimentos ocultos; as denúncias e sentenças calcadas em acusações negociadas com réus, e não na produção lícita de provas.

     A perversão do processo legal não permite distinguir culpados de inocentes, mas é avassaladora para destruir reputações e tem sido utilizada com indisfarçáveis objetivos político-eleitorais. A caçada judicial e midiática ao ex-presidente Lula é a face mais visível desse processo de criminalização da política, que não conhece limites éticos nem legais e opera de forma seletiva, visando essencialmente o campo político que Lula representa.
    
     Nos últimos 40 anos, Lula teve sua vida pessoal permanentemente escrutinada, sem que lhe apontassem nenhum ato ilegal. Presidiu por oito anos uma das maiores economias do mundo, que cresceu quatro vezes em seu governo, e nada acrescentou a seu patrimônio pessoal. Tornou o Brasil respeitado no mundo; conviveu com presidentes poderosos e líderes globais, conheceu reis e rainhas, e continua morando no mesmo apartamento de classe média em que morava 20 anos atrás.

      Como qualquer cidadão, Lula pode e deve ser investigado, desde que haja razões plausíveis, no devido processo legal. Mas não pode ser submetido, junto com sua família, ao vale-tudo acusatório que há dois anos é alardeado dentro e fora dos autos. Acusam-no de ocultar imóveis, que não são dele, apenas por ouvir dizer. Criminalizam sua atividade de palestrante internacional, ignorando que Lula é uma personalidade conhecida e respeitada ao redor do mundo. A leviandade dessas denúncias ofende a consciência jurídica e desrespeita a inteligência do público.

       A caçada implacável e injusta ocorre em meio a crescente processo de cerceamento da cidadania e das liberdades políticas, que abre caminho para a reversão dos direitos sociais. Líderes de movimentos sociais são perseguidos e até presos, manifestações de rua e ocupações de escolas são reprimidas com violência, jornalistas independentes são condenados por delito de opinião. Ao mesmo tempo, o sistema judiciário recua ao passado, restringindo o recurso ao habeas corpus e relativizando a presunção de inocência, garantias inalienáveis no estado de direito.


     Esse conjunto de ameaças e retrocessos exige uma resposta firme por parte de todos os democratas, acima de posições partidárias. Quando um cidadão é injustiçado – seja ele um ex-presidente ou um trabalhador braçal – cada um de nós é vítima da injustiça, pois somos todos iguais perante a lei. Hoje no Brasil, defender o direito de Lula à presunção da inocência, à ampla defesa e a um juízo imparcial é defender a democracia e o estado de direito.  É defender a liberdade, os direitos e a cidadania de todos os brasileiros. 

domingo, 6 de novembro de 2016

E agora, que fazer?

A oligarquia, ao retirar a Presidenta Dilma, retirou também da cena política as travas da barbárie. Na história recente do Brasil, vencida a Ditadura de 1964, tivemos uma predominância de governos que aplicavam a cartilha neoliberal. Com resistências políticas populares, sindicais e partidárias (PT entre estas), o debate existia, mas as políticas neoliberais avançavam. Com a chegada de Lula ao poder, após a Carta aos Brasileiros que afirmou sua aproximação centro esquerda, vivemos politicas anti-cíclicas - o protagonismo do estado no desenvolvimento de políticas de renda mínima (bolsas); ampliação do atendimento em previdência; política do conteúdo nacional na indústria; ampliação da participação do trabalho no PIB nacional; inclusão no ensino superior, demonstrando que negros e brancos, pobres e ricos, com a acesso ao ensino superior, tem desenvolvimento semelhante; e tantas outras que não podem ser categorizadas como "neoliberais", ao menos por quem se propõe ao debate não sectário ou autoritário.
Dilma Presidenta tentou mostrar que o estado poderia ser mais técnico e mais duro com o Congresso vergonhoso que tínhamos, foi atropelada por uma crise internacional do Petróleo, pela esperteza da mídia nativa, pela raivosidade da oligarquia e pela dificuldade do Congresso em enxergar sua obrigação política e cívica. Ali se formava o quadro, apoiado pelos batedores de panela, para destituição da Presidenta sem crime de responsabilidade. Agora, Ditadura presente,vivemos a destituição de diretorias em órgãos públicos que se apresentam como críticas às atrocidades políticas propostas (TV Brasil, IPEA, Conselheiros do CNE, ...), Presidência da República ocupada por uma pessoa que não foi eleita para implementar o projeto de governo ao qual serve (descaradamente o vice da Presidenta Dilma implementa a política do PSDB). E o PSDB, quem diria, apaga de seu currículo qualquer compromisso com a democracia, o que lhe interessa é o poder e a conclusão da agenda de entrega de recursos nacionais (interrompida com a chegada de Lula ao poder). Não estamos falando mais de um golpe, estamos falando de uma Ditadura: censura das críticas, um congresso publicamente conhecido como venal, enterrado até o pescoço em denúncias de corrupção, a votar Propostas de Ementa Constitucional contra a vontade da população. Por que não um plebiscito? Por que não uma reforma tributária que de fato corrigisse a centralidade dos impostos sobre o consumo, desonerando os mais pobres e promovendo equidade social com a taxação daqueles que continuam a enriquecer? Por que não promover um debate nacional sobre a Previdência, com direito ao contraditório? Porque o projeto de país, em implementação, não foi votado, não foi eleito, ele representa os interesses daqueles que deram o Golpe.
E os desmandos em Curitiba? Prender uma pessoa para que ela deponha a respeito de um crime sob o qual há suspeição, sem que ela tenha se negado a depor? As prisões realizadas em Curitiba são suspeitas. O juiz faz assim: prende e deixa lá até que o preso resolva "colaborar" com o foco que a operação tem para quem a dirige, no meu entendimento estas prisões preventivas que são realizadas fora da previsão constitucional são utilizadas como tortura.
Conversas telefônicas gravadas com autorização da justiça, com conteúdo não relacionado ao crime em investigação, e que deveriam, portanto, ter sido destruídas, são usadas midiaticamente para expor a pessoa em seus contatos particulares. A articulação investigação/juiz/mídia é vergonhosa.
A Constituição foi rasgada e vivemos um estado de exceção. As políticas em regime de votação e aprovação no Congresso nos levam à barbárie. E, mesmo assim, utiliza-se Medida Provisória para legislar sobre o ensino... Tudo vergonhoso e venal.
O que fazer, agora que constatamos diariamente o caos gerado pelo golpe?
1. Revogar o impedimento, trazer o país a normalidade, à constitucionalidade, barrar a barbárie. Mas para isso a esquerda precisa se unir, complementar, e, principalmente, parar de disputar o espaço que o PT conquistou, reconhecer que o governo Lula e Dilma construíram imensos avanços na transformação da estrutura social. Aprender, melhorar, colaborar. Não dá para engolir a esquerda com o mesmo discurso e comportamento da direita. O que precisamos construir é daqui para a frente. Não é possível, nem desejado, apagar o passado, ele é parte importante da luta pelo futuro. Apagar as transformações sociais que o PT promoveu é negar o legado da esquerda.
2. Implementar a participação direta na aprovação de políticas essenciais à construção de uma país menos desigual, mais plural, democrático e que potencialize nossa imensa capacidade criativa, produtiva.
3. Investir em meios de comunicação mais formativos, que assegurem o contraditório em todos os programas jornalísticos, que, de fato, a cada notícia, possamos ter acesso ao contraditório, ao que pensam governo, pesquisadores e população organizada (movimentos sociais, sindicais, populares) sobre o tema em discussão. Menos doutrinação midiática, mais contraditório, população melhor informada. Que os espaços de uso público com televisão transmitam canais públicos.
Artigos que complementam o caminho:
Emir Sader - sobre a auto-crítica da esquerda
A campanha da direita por dentro do PT


Prof. Dr. Emir Sader na Unirio em 10 de novembro de 2016

Em 10 de novembro, às 9h da manhã, no Auditório Vera Janacopulos (Av. Pasteur, 296), O Prof. Dr. Emir Sader (PPFH/UERJ e UNESCO) abordará o tema Desafios Democráticos das Universidades na América Latina, na abertura do II Fórum dos Cursos de Graduação da Unirio. Logo após a palestra, teremos o lançamento do Livro: O Brasil que Queremos, organizado pelo palestrante.
Evento aberto a toda comunidade.
A atividade faz parte do II Fórum dos Cursos de Graduação da Unirio.


O Brasil que queremosa

Prof. Dr. Emir Sader na Unirio em 10 de novembro de 2016

Em 10 de novembro, às 9h da manhã, no Auditório Vera Janacopulos (Av. Pasteur, 296), O Prof. Dr. Emir Sader (PPFH/UERJ e UNESCO) abordará o tema Desafios Democráticos das Universidades na América Latina, na abertura do II Fórum dos Cursos de Graduação da Unirio. Logo após a palestra, teremos o lançamento do Livro: O Brasil que Queremos, organizado pelo palestrante.
Evento aberto a toda comunidade.
A atividade faz parte do II Fórum dos Cursos de Graduação da Unirio.


O Brasil que queremosa